É impressionante que, apesar de estarmos vivendo numa sociedade cada vez mais líquida, superficial e efêmera, ao mesmo tempo buscamos lá longe a ajuda para enfrentarmos as dificuldades de hoje. Em todos os aspectos, incluindo os filosóficos. Se, por um lado, algumas das respostas da vida estão no cristianismo, na trajetória e exemplo de Cristo, como se vê nas questões ligadas à Páscoa, celebrada recentemente, por outro, também se bebe da fonte de teorias filosóficas difundidas 2 mil anos atrás, como é o caso do estoicismo, fundada por Zênon de Cítio (333 a.C. – 263 a.C.) e cujo principal representante seja, talvez, Epíteto.
Em ambos os casos, o conforto teórico e espiritual são antídotos para os grandes desafios, dificuldades e questões da vida contemporânea. Veja: como temos lidado com a morte? Apesar de algo natural e única certeza da vida, ainda não lidamos bem com essa realidade. No cristianismo, prega-se que cada um tem a sua hora de morrer e que, quando ela chegar, nos encontraremos com Cristo na vida eterna. Já o estoicismo, que também prega a existência de uma hora certa para a morte, pressupõe que não deixemos a vida passar enquanto, afinal, se ainda não é a hora da morte, é preciso lidar com as outras questões do cotidiano.
As duas correntes de pensamento ensinam que é preciso resiliência, demonstrar resignação diante das situações trágicas, diante dos sofrimentos. Aceitar o que não se pode mudar e seguir em frente. Até porque existem coisas que estão fora do nosso controle. Ou são responsabilidade divina, no caso dos cristãos, ou independem do ser humano, simplesmente. E aí não vale a pena preocupar-se com aquilo que não nos diz respeito, ou melhor, com o que não depende de nossas ações.
E, entre ambas teorias, é possível encontrar pontos de convergência. Os estoicos acreditam que o ser humano deve viver em harmonia com a natureza, o que significa não apenas com os animais e plantas, mas, sobretudo, consigo mesmo e com a humanidade, no geral. E, também para esse grupo de filósofos, existe um princípio divino a partir do qual gira o mundo. Ou seja, estar em harmonia com a natureza é, da mesma forma, estar em harmonia com o universo e com Deus. Assim, cristãos e estoicos concordam que é necessário viver conforme uma divindade. Tais quais tantas outras manifestações religiosas, não importa qual nome se dá a essa divindade.
Ou seja, filosofias e pensamentos milenares continuam sendo resposta para problemas contemporâneos e atuais. Não tem segredo. Basta ler, estudar e vivenciar algumas das práticas e preceitos filosóficos antigos e clássicos.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

