Filosofar não dá dinheiro. Essa é uma verdade que eu, como filósofo, e você, como leitor, concordamos. Certo? A filosofia não é uma atividade super valorizada economicamente no universo capitalista e, portanto, não é um bom negócio. Isso não quer dizer, entretanto, que ela não seja importante. Ou necessária. Ao contrário, funciona mais no sentido de atender às necessidades e aspirações humanas, do pensamento, relacionadas à ética ou à política do que propriamente como uma profissão ou forma de se ganhar dinheiro.
Nem sempre foi assim. Ou sempre foi assim. Depende do ponto de vista. O fato é que a filosofia sempre esteve ligada ao dinheiro. Na Grécia Antiga, berço do pensamento filosófico, houve um grupo de filósofos que soube ganhar dinheiro filosofando. São os sofistas: eles eram considerados professores nas artes da retórica (falar bem), dialética (discutir) e persuasão (convencer), pois ensinavam seus alunos e discípulos, normalmente filhos de comerciantes, o que eles precisavam. Todavia, eram considerados mentirosos e enganadores porque para eles não importava a verdade. Bastava ensinar o que fosse preciso para seus discípulos alcançarem seus objetivos.
E mesmo os grandes filósofos da Antiguidade Clássica, como Sócrates, Platão ou Aristóteles, embora nem sempre tenham se beneficiado economicamente da atividade filosófica, certamente dependiam do dinheiro para realiza-la. Isso porque eram provavelmente financiados por algum aristocrata grego, se não fossem eles mesmos ricos, pois o tempo ocioso custa e era preciso alguém para financia-los.
Aliás, o dinheiro é mais importante para a filosofia do que se imagina. Ele é um dos elementos que contribuíram para ao surgimento do pensamento filosófico, na medida em que substituiu trocas comerciais e permitiu que os homens (e os filósofos) percebessem que era possível fazer cálculos e estabelecer conexões entre valores equivalentes. Tudo isso impulsionou o pensamento racional. E cá estamos, podendo filosofar e pensar também por conta disso. Agora, o que pensam os filósofos sobre o dinheiro e qual a relação de nossa sociedade com este elemento, já são temas para outra coluna! Até lá!
Foto: Reprodução de Escola de Arte de Atenas, da Rafael
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

