Vai demorar um pouco ainda para a vida voltar ao normal. Alguns lugares no mundo já estão retomando as atividades depois de uma longa quarentena provocada pela pandemia do coronavírus. Em outros, o processo é mais lento e devagar. De qualquer forma, todo mundo vai precisar retomar sua rotina. Muitos precisarão recomeçar. Alguns, do zero, enquanto outros de um ponto paralisado. Enfim, será preciso muita resiliência para deixar tudo nos trilhos novamente.
Isso tudo faz parte da vida, entretanto. Como diria o filósofo prussiano Friederich Nietzsche (1844-1900), “é preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante”. Coincidentemente é no meio de um grande caos que estamos vivendo. Em todos os aspectos da vida: seja familiar, escolar ou laboral. De modo particular, neste último, será preciso rever todos os conceitos para poder se reinventar. Difícil, complicado e desesperador. Mas, não tem outro jeito. É melhor nos prepararmos para a retomada do que ficar choramingando por aí.
Invocamos o romano Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) para lembrar que “alguns cessam de viver antes de começar a viver”. De fato, muitos podem desistir em meio a esse turbilhão de emoções e sentimentos ou no olho do furacão da pandemia. Não é fácil enxergar a bonança depois da tempestade. Nem imaginar o dia ensolarado colorido com o arco-íris quando se tem diante de si um tempo fechado e carregado de chuva e trovões. Entretanto, é preciso se lembrar de que a vida, às vezes, reserva muito mais do que imaginamos.
O grego Epicuro (341 a.C. – 270 a.C), que viveu no período helenístico, logo depois do apogeu da filosofia clássica, sabe que “cada um deixa a vida como se tivesse acabado de começa-la”. Não trouxemos nada nem levaremos nada. Mas, essencialmente, como vamos deixar essa vida mundana? Que legado ou herança deixaremos a quem ficar por aqui? Que lembranças e memórias terão de nós? Tomara que seja uma visão de que, apesar de todas as crises pelas quais passamos, sempre tivemos força e coragem para recomeçar!
Foto: Pixabay
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

