O medo é um sentimento natural. Uma reação à sobrevivência, ligada quando nos sentimos nossa vida ameaçada, quando nos vemos diante de uma situação-limite. Todo mundo sente medo. Alguns de altura, outros de aranha, de borboletas, de lagartixas. Vez em quando o medo se confunde com nojo. Mas, fundamentalmente, ele faz parte de nós e nos acompanha em nossa jornada cotidiana. Por outro lado, entretanto, estamos o tempo todo nos testando a fim de vencer e superar esse obstáculo tão natural quanto nossa respiração.
Dias atrás fui visitar o Pico do Agudo. São mais de 1,2 mil metros de altitudes no meio de quase nada em Sapopema, município da região Norte do Paraná. Uma trilha pesada e com dificuldade de moderada a alta, que muitas pessoas resolvem enfrentar. O que ninguém diz é que, em determinado momento, você se vê diante de um paredão de rocha com uma corda de corrente pendurada e uma escadinha com degraus de ferro para te ajudar a subir. Atrás de você, um penhasco de dar muito… medo!
Alguns preferem não encarar esse desafio. Eu fui, com medo mesmo. Não pela subida, nem pela altura. Mas, medo de subir e não conseguir descer. Medo de chover e a pedra ficar escorregadia. Uma sensação, acredito eu, que não tive nem quando me apontaram uma arma na cabeça. De tanto medo, minhas mãos até ficam suadas enquanto digito este texto. Todavia, não é clichê dizer que superar seus medos tem suas vantagens. Que vale a pena, que a recompensa é grande, etc. De fato, é isso mesmo.
A vista que se vê do pico do Pico do Agudo é impressionante. Reconfortante. Faz o medo ser vencido facilmente. Uma sensação de liberdade, de superação. Veja por si só a foto que ilustra este texto, tirada por mim mesmo. Mas, também não haveria problema se o medo nos barrasse no determinado ponto que não conseguíssemos superar. A filosofia nos mostra que o fracasso, assim como o medo, faz parte da vida. E nos ajuda a lidar com as frustrações e com as expectativas. Vencer um por um dos desafios que se impõem à nossa frente é questão de sobrevivência, de desenvolvimento de si próprio.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
Foto: Acervo pessoal

