Por Marcelo Minka
Sem lançamentos nas telonas no último final de semana, publicamos hoje a coluna porque teremos a pré-estreia de “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, nesta quarta (23). O filme marca o retorno de uma das franquias mais tortuosas da Marvel ao campo da expectativa e da redenção. O filme promete mais do que um desfile de efeitos visuais: anunciam uma tentativa de reconciliação entre nostalgia e inovação num terreno cósmico onde o familiar e o épico colidem.
Dirigido por Matt Shakman (WandaVision – 2021), o filme evita o cansaço da narrativa de origem, apostando na imersão direta: Reed Richards, o Senhor Fantástico, interpretado por Pedro Pascal (The Last of Us – 2023), já é um cientista em ação, em plena maturidade emocional e intelectual. Ao seu lado, Vanessa Kirby (Pieces of a Woman – 2020) interpreta Sue Storm com a contenção de quem entende que o poder invisível é também o mais devastador. O filme começa com a ameaça de Galactus — sim, o devorador de mundos — e seu arauto, o Surfista Prateado, mas é no silêncio entre uma briga e outra, nos olhares trocados no laboratório, que Shakman encontra a força de sua narrativa.
Não há espaço para piadas excessivas nem para o niilismo que tem corroído parte da Fase 5 do MCU. O roteiro investe na tensão entre ciência e afeto, responsabilidade e desejo de fuga. Pascal e Kirby encontram uma química delicada, quase bergmaniana, em meio a explosões e portais dimensionais. Johnny Storm, interpretado por Joseph Quinn (Stranger Things – 2022) e Ben Grimm, interpretado por Ebon Moss-Bachrach (The Bear – 2023) completam o time com vigor cômico bem dosado e um senso de camaradagem que não soa artificial. A trilha sonora de Michael Giacchino (Up – 2009) oscila entre o grandioso e o lírico, pontuando cenas-chave com o tipo de orquestração que remete tanto a John Williams quanto a Philip Glass.
Prévias de Quarteto Fantástico receberam boas críticas
A crítica especializada, embora ainda limitada às prévias, tem elogiado com entusiasmo o tom emocional do filme. Sites como ComicBookMovie e SuperHeroHype relatam reações extremamente positivas: “a melhor Marvel desde Avengers: Endgame”, disseram alguns. O Rotten Tomatoes ainda não cravou a média crítica, mas os fãs que assistiram aos trechos em eventos privados já projetam índices superiores a 85% de aprovação.
Há, claro, o risco da hipérbole — o MCU é especialista nisso —, mas o que se viu até agora sugere uma obra que finalmente compreendeu que o Quarteto Fantástico não é apenas sobre salvar o mundo, mas sobre tentar permanecer uma família em meio ao colapso.
Shakman não reinventa a roda cósmica, mas dá a ela um novo eixo emocional. Em tempos onde franquias vivem mais de algoritmos do que de alma, ver um blockbuster preocupado com vínculos humanos parece um gesto quase revolucionário. Se há uma provocação em Primeiros Passos, ela está aqui: e se o verdadeiro poder não estiver em esticar o corpo, voar ou levantar toneladas, mas em não deixar que os laços se desfaçam quando o universo implode? Para fãs do gênero.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry
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