Por Marcelo Minka
Para quem prefere um cineminha no lugar de pisar em cocô de vaca, estreou nesta semana “Operação Vingança”, sob a direção de James Hawes (Enid – 2009). O filme subverte as convenções do thriller de ação ao apresentar um protagonista atípico no centro de uma trama de retaliação, distanciando-se da figura do agente super treinado, focando em um analista de criptografia nerd da CIA que busca justiça após uma tragédia pessoal.
Rami Malek, ganhador do Oscar por sua interpretação em Bohemian Rhapsody (2018), interpreta Charles Heller, um especialista em códigos cuja vida é devastada por um ataque terrorista. Diante da inércia da agência, Heller utiliza sua inteligência e conhecimento dos sistemas internos para chantagear seus superiores, exigindo treinamento de campo para caçar os responsáveis pela morte de sua esposa. A premissa inverte a dinâmica usual, colocando um indivíduo com habilidades intelectuais em um mundo de violência física, explorando as consequências e a adaptação forçada a essa nova realidade.
Operação Vingança sem excesso de ação gratuita
Hawes constrói uma narrativa tensa, onde a inteligência estratégica de Heller se torna sua principal arma em um cenário de perseguição e conspiração internacional. O filme evita o excesso de ação gratuita, concentrando-se no desenvolvimento do personagem e nas implicações morais de sua busca por vingança. A cinematografia, com locações que abrangem Londres e outros cenários europeus, contribui para a atmosfera de suspense e urgência.
Malek oferece uma performance contida e intrigante, transmitindo a determinação silenciosa e a crescente frieza de Heller em sua jornada. O elenco de apoio, que inclui nomes como Caitriona Balfe (Belfast – 2021) e Laurence Fishburne (Matrix – 1999), complementa a narrativa, adicionando camadas de complexidade à trama e aos obstáculos enfrentados pelo protagonista.
“Operação Vingança” se apresenta como um thriller de espionagem que explora a vingança sob uma perspectiva incomum, questionando os limites da justiça e as transformações que a busca por retaliação pode infligir a um indivíduo. Longe da ação desenfreada, o filme aposta em uma narrativa mais cerebral e focada no personagem, oferecendo uma visão diferenciada dentro do gênero.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry
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