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O Gambito da Rainha surpreende e cativa

Semana terminando tensa, na torcida para Trump se despedir definitivamente da Casa Branca. Sem lançamentos relevantes de filmes ou séries, vamos falar sobre O Gambito da Rainha, série que estreou na última semana de outubro e está ganhando relevância e admiradores a cada dia.

Tenho que admitir que o título me desanimou, tem cara de filme B quase pornô. Gambito é uma jogada rara no início do jogo de xadrez, onde se oferece um peão para ganhar posições de vantagens em movimentos subsequentes, rompendo a estratégia do adversário em ataques rápidos. O tema também não é dos mais estimulantes, vida da garota prodígio e órfã, infância difícil, vida adulta tumultuada, jogo de xadrez. Deu tédio, sono, desânimo, pareceu clichê demais. Mas tudo não passou de preconceito com o título, a série é surpreendente.

O excelente roteiro é baseado no romance do norte-americano Walter Tevis, autor do livro A Cor do Dinheiro, que também foi adaptado para o cinema em 1986. A trama conta a história de Beth Harmon, interpretada por Anya Taylor-Joy (Peaky Blinders – 2013). Anya incorpora seu personagem com grande carisma e a força toda da série emana dela. Nas longas partidas de xadrez podemos sentir a tensão do jogo nos ossos, tensão que emana do olhar de Anya, com uma saborosa trilha sonora de fundo. Assim, entre as longas partidas de xadrez, apreciamos as idas e vindas das pessoas passando pela vida da personagem que define com garra seu espaço em um mundo dominado por homens.

Outro nome relevante na produção é de Thomas Sangster (Maze Runner – 2016 a 2018), na pele do enxadrista profissional Benny Watts, peça fundamental na vida da protagonista e de suas estratégias nos jogos.

O Gambito da Rainha foi produzida para ter começo, meio e fim, mas pelo sucesso que está fazendo e a maneira rápida com que envolveu o público com um tema nada popular, provavelmente os produtores vão dar um jeitinho e emendar uma continuação – tudo pela cor do dinheiro. E estamos na torcida para que isto aconteça.

Com roteiro muito bem estruturado e direção de arte exuberante, a série é cativante e emocionante do começo ao fim, sete episódios longos, porém emocionantes, que valem uma maratona. Está disponível no streaming Netflix.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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