Melhores filmes de 2025

o agente secreto

Por Marcelo Minka

Encerrar o ano falando de cinema é sempre um gesto político, ainda que disfarçado de afeto. Em um mundo saturado de imagens descartáveis, os melhores filmes de 2025 foram aqueles que resistiram à pressa, recusaram a anestesia emocional e exigiram do espectador algo além do consumo automático. Não foram, em sua maioria, filmes “confortáveis”. Foram filmes que incomodaram, deslocaram e, em alguns casos, permaneceram ecoando dias depois da sessão.

Agente Secreto

Agente Secreto talvez seja o título que melhor sintetiza o espírito do ano. Um filme que entende o suspense não como engrenagem narrativa, mas como estado moral. Aqui, o perigo não está apenas na espionagem, mas na dissolução da identidade, no cansaço ético de um mundo onde ninguém é exatamente quem diz ser. É cinema adulto, consciente, que confia na inteligência do público e se recusa a explicar demais.

Foi Apenas um Acidente

Em outra chave, Foi Apenas um Acidente desmonta a ideia de causalidade simples. O que começa como um evento banal se transforma em um estudo preciso sobre culpa, acaso e responsabilidade. É um filme que olha para o cotidiano com lupa moral, lembrando que a tragédia raramente chega com trilha sonora — ela se infiltra em silêncio, como na vida real.

A Hora do Mal

A Hora do Mal resgata o terror como ferramenta de diagnóstico social. Não há aqui sustos gratuitos, mas uma atmosfera de opressão crescente, onde o medo nasce daquilo que é estrutural, não sobrenatural.

O filme entende que o horror mais eficaz é aquele que reconhecemos, ainda que relutemos em admitir.

Pecadores

Pecadores é frontal, incômodo e deliberadamente ambíguo.

Um filme que recusa absolvições fáceis e expõe a hipocrisia moral de uma sociedade que gosta de apontar dedos sem olhar para si. Há algo de profundamente contemporâneo nessa recusa em oferecer redenção como produto final.

Uma batalha após a outra

Já Uma batalha após a outra trabalha o desgaste: físico, emocional e histórico. Não é um filme sobre heroísmo, mas sobre persistência. Sobre continuar mesmo quando a narrativa clássica da vitória já não se sustenta. É austero, às vezes áspero, mas honesto.

O Último Azul

O Último Azul surge como um raro momento de contemplação verdadeira.

Um filme que desacelera o tempo e aposta na imagem como espaço de escuta.

Em um ano barulhento, sua delicadeza foi quase um ato de resistência.

Extermínio: A Evolução

Extermínio: A Evolução surpreende ao compreender que franquias só sobrevivem quando aceitam mudar de pele.

O filme atualiza seus medos, abandona nostalgias fáceis e dialoga com um presente mais ansioso, mais fragmentado, mais imprevisível.

Sonhos de Trem

Por fim, Sonhos de Trem fecha a lista como uma espécie de elegia moderna. Um filme sobre deslocamento, memória e o que se perde enquanto seguimos em frente. Simples na forma, profundo no efeito, ele lembra que o cinema ainda é capaz de tocar camadas silenciosas da experiência humana.

Talvez o dado mais revelador dessa lista seja o que ela não tem: triunfalismo, otimismo forçado ou soluções fáceis. Os melhores filmes do ano entenderam que viver, hoje, é conviver com a ambiguidade. E o cinema, quando está em seu melhor momento, não resolve essa tensão, ele a ilumina.

Fotos: Divulgação

Marcelo Minka

Mestre em Antropologia Visual (UEL), dá forma à linguagem estética da Angatu Joias, unindo arte, forma e símbolo em criações que revelam a poética entre design e significado. Artista visual e pesquisador, transita entre o pensamento e o fazer, inspirado pelas viagens, pelos sabores, pela natureza e pelas culturas que encontra pelo Brasil e pelo mundo. Cinéfilo nas horas vagas.

Me siga no Instagram: @marcelo_minka 

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