Falta vida em “Jurassic World: Recomeço”

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Por Marcelo Minka

Londrina amanhece fria, com aquele vento cortante que desce da serra mais uma vez e faz os casacos finalmente saírem do armário. E novamente nos deparamos com cartazes de dinossauros espalhados pelos cinemas. “Jurassic World: Recomeço” chegou à cidade e, goste-se ou não, esse é um daqueles eventos cinematográficos que atravessam gerações, carregando consigo tanto a nostalgia quanto o peso das expectativas frustradas.

Sob a direção de Gareth Edwards (“Rogue One”, 2016), conhecido por sua habilidade em criar monstros maiores que a vida, este sétimo capítulo da franquia jurássica tenta resgatar o espírito original de Spielberg: o deslumbramento diante do inexplicável e o medo visceral do que não podemos controlar. Mas o que poderia ser uma retomada genuína à essência do primeiro “Jurassic Park” acaba se perdendo em um emaranhado de clichês e set pieces previsíveis, ainda que tecnicamente impecáveis.

Scarlett Johansson (“História de um Casamento”, 2019) assume o centro da trama como uma geneticista endurecida pelos erros do passado, enquanto Mahershala Ali (“Moonlight”, 2016) traz densidade emocional a um executivo que não é tão vilanesco quanto parece. Jonathan Bailey (“Bridgerton”, 2020) completa o trio como um aventureiro científico à moda antiga, figura que remete aos dias de Alan Grant. Todos entregam atuações competentes, mas é difícil ignorar que estão presos às amarras de um roteiro que prefere reciclar ideias do que arriscar novos territórios.

Visualmente, Jurassic World: Recomeço é um deleite e deve agradar aos fãs da franquia. Mas  tem pouco de provocação ou frescor
Fotos: Divulgação

“Recomeço” é um deleite visual, mas só cumpre seu papel

Visualmente, “Recomeço” é um deleite. As criaturas são meticulosamente renderizadas, a ilha tropical em que a história se desenrola é um convite ao escapismo, e o som dos rugidos é tão potente quanto se espera em uma sala IMAX do Cine Araújo. Mas sob o verniz do espetáculo, pouco se encontra em termos de provocação ou frescor. É como admirar um fóssil perfeitamente preservado: impressiona pela forma, mas falta vida pulsando ali.

Em Londrina, onde o frio faz o café parecer mais quente e o público busca distração rápida entre um chocolate quente e uma compra no shopping, “Jurassic World: Recomeço” cumpre seu papel. É entretenimento robusto, calibrado para agradar massas, mas é também sintoma de uma indústria que se debate entre a segurança do conhecido e o risco criativo do inédito. Como um dinossauro ressuscitado em laboratório, é fascinante — mas inevitavelmente, artificial.

Ficha técnica: Direção de Gareth Edwards. Elenco: Scarlett Johansson, Mahershala Ali, Jonathan Bailey. Produção: Universal Pictures.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry

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