Hollywood, os cantos escuros do conto de fadas

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No feriado de 1 de maio estreou, pelo serviço de streaming Netflix, a nova série de Ryan Murphy, Hollywood. Provavelmente você conhece Murphy por seus outros trabalhos como criador e roteirista (Glee, Pose, The Politician, American Horror Story, e muitos outros). Então você pode ter certeza que os diálogos, a fotografia e toda a produção são impecáveis.

Murphy e o cocriador da série Ian Brennan reescrevem a história de Hollywood e de toda a indústria cinematográfica a partir de uma questão pra lá de atual, toda a limitação patriarcal imposta a mulheres, gays e negros. Em Hollywood, a porta daquele quartinho da bagunça onde guardamos tudo o que precisa ser escondido, é escancarada. Murphy mostra que, mesmo em um período mega conservador e de valores inquebrantáveis, tudo o que é proibido é mais gostoso, e acontece embaixo do nariz de todos.

Contando com apenas sete episódios e, a princípio, uma temporada, a série foi feita para ser maratonada. Mas não espere de Murphy um caminho fácil, os episódios não trarão mistérios, tramas e reviravoltas que o deixarão curioso para assistir o próximo episódio, encare Hollywood como uma aula de História do Cinema que tem seu lado B, o lado não revelado nos livros da disciplina. Testes para atores, testes do sofá, leituras de roteiros, rivalidades, bastidores, nada mais te espera.

O que vai te segurar no desenrolar da história é a performance do elenco estelar: Joe Mantello (The boys in the band), Samara Weaving (Casamento sangrento), Rob Reiner (Stand by me), Holland Taylor (Legalmente loira) e muitos outros interpretando personagens carismáticos e profundos. A direção de arte também é impecável em sua reconstituição de época, nos mínimos detalhes, desde os ambientes da ACE Studios à cerimônia de entrega do Oscar de 1948.

Hollywood é uma experiência agradável e sutil. Boa quarentena.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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