Por Marcelo Minka
Neste sábado frio e ensolarado não temos lançamentos relevantes no cinema, pelo menos para os adultos. Mas para as crianças há opções de sobra: Minions 2: A Origem de Gru, A Liga dos SuperPets, O Lendário Cão Guerreiro, Dragon Ball Super: Super Hero. Ou seja, não há desculpas para não levar seus filhos ou sobrinhos para as telonas.
Por isso achei mais relevante escrever sobre a série Better Call Saul, encerrando sua sexta e última temporada na Netflix. Já escrevi sobre ela no início desta sexta temporada, mas gostei tanto que preciso escrever mais. E uma coisa que se pode dizer logo no início, um projeto autoral revolucionário. Sim, projeto autoral dos geniais Vince Gilligan (Metásasis – 2014) e Peter Gould (Grande Demais para Quebrar – 2011), responsáveis pela também incrível série Breaking Bad (2008 a 2013).
Better Call Saul é um spin off de Breaking Bad, conta a história do advogado fuinha e vigarista Saul Goodman e sua ambição sem limites que o envolve com o narcotráfico, além de se especializar em aplicar golpes de aposentadoria em velhinhos. E o personagem é tão bem estruturado, dirigido e interpretado que não há a menor possibilidade de você não torcer por ele.
Relutei muito para começar a assistir Breaking Bad, a história de um professor com câncer que se envolve com o narco para deixar dinheiro para a família antes de morrer não me convenceu, mas ainda bem que encarei a maratona. Aconteceu o mesmo com Better Call Saul, afinal, seria mais do mesmo. Ledo engano, grata surpresa.
Gilligan e Gould poderiam continuar com a fórmula de Breaking Bad que deu mais que certo, mas preferiram se arriscar e continuar a história de um jeito bem original. O resultado é uma trama visceral, mas ao mesmo tempo lírica, onde conseguimos entender os corações dos piores vilões e suas dores motivacionais. Uma trama complexa com personagens complexos e profundos, mas ao mesmo tempo simples e hipnótica.
Se em Breaking Bad tínhamos as cenas cinematográficas de ação, em Better Call Saul temos as cenas mais demoradas, com a luz/sombra cuidadosamente pensada, diálogos enxutos e surpreendentes. Se não assistiu, assista.
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Marcelo Minka
Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.
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