Por Marcelo Minka
Enquanto a casinha de madeira chamada Brasília pega fogo, aqui na fazendinha ora passamos frio, ora o suor escorre pela face, tudo no mesmo dia. Mas vamos ao que interessa, cinema.
Está em cartaz nos cinemas da cidade o novo filme de M. Night Shyamalan, Batem à Porta, com os temperos favoritos do diretor; violência, suspense e terror. A primeira coisa boa que assisti de mr. Shyamalan foi O Sexto Sentido (1999), mas infelizmente também foi a última. Concordo que pode ser um pouco de preconceito da minha parte que considero o estilo desta direção digamos… sem estilo, mas também confesso que sempre tento me esforçar por um caminho otimista, sem conseguir.
A história de Batem à Porta se passa em uma pequena cabana onde o casal gay Eric (Jonathan Groff) e Andrew (Ben Aldridge) decide passar um tempo com sua filha adotiva Wen (Kristen Cui). Tudo ocorre na maior paz exterior e interior, até que surgem pessoas armadas que invadem a casinha, também de madeira, e força a família a tomar uma decisão terrível com a finalidade de “salvar o mundo”.
O diretor se aproveita dessa premissa criativa, mas ao mesmo tempo meio infantilóide, para puxar bordões de discussões existenciais, preconceitos, afetos, etc. O roteiro é tenso e misterioso, mas se perde nos detalhes tais como diálogos rasos e mal elaborados. Baseado no livro Chalé no Fim do Mundo, de Paul G. Tremblay (2018), a adaptação ficou por conta de Shyamalan, Steve Desmond (Monsters – 2015) e Michael Sherman, mas podemos ver nitidamente a mão pesada de Shyamalan em cada linha escrita.
Em geral, Batem à Porta é um filme bem realizado com uma atmosfera tensa e quase envolvente. Embora não seja uma obra-prima, é uma boa opção para fãs de filmes de terror e mistério e apresenta uma história interessante. No entanto, aqueles que esperam uma resolução satisfatória e um roteiro bem trabalhado podem ficar decepcionados. De qualquer forma, é uma obra interessante que vale a pena ser vista e avaliada (tentando ser otimista aqui também).

Marcelo Minka
Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.
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