Por Marcelo Minka
Em um café do Boulevard, dois homens discutem sobre coreografias de luta como se falassem de poesia concreta. Um deles menciona Bailarina, o novo filme derivado de John Wick, como se fosse uma poesia silenciosa escrita com sangue sobre a parede. O outro, mais cético, diz que a franquia virou um balé de cadáveres sem alma. Nenhum dos dois está completamente errado.
Dirigido por Len Wiseman (Anjos da Noite, 2003), Bailarina – Do Universo de John Wick expande o universo assassino criado por Chad Stahelski com uma protagonista que sangra em silêncio. A estrela é Ana de Armas (Entre Facas e Segredos, 2019; Blonde, 2022), no papel de Eve, uma mulher treinada desde a infância para matar, que agora busca vingança após o assassinato de sua família.
Bailarina tem a mesma base de John Wick
A narrativa se posiciona entre os eventos de John Wick 3 (2019) e John Wick 4 (2023), mas não exige doutorado na cronologia da franquia para ser entendida. O essencial está ali: hotéis de luxo, códigos de honra e execuções coreografadas com elegância clínica. A novidade está na forma como Eve se move — há menos brutalidade testosterônica e mais cálculo ferido. O corpo dela fala, e fala de luto.
O elenco de apoio inclui Anjelica Huston (Os Excêntricos Tenenbaums, 2001), Norman Reedus (The Walking Dead, 2010–2022), Ian McShane (Deadwood, 2004–2006), e Keanu Reeves, claro, em participação breve, mas simbólica. A trilha sonora é de Marco Beltrami (Logan, 2017), pontuando com tensão e melancolia.

Wiseman não é um diretor autoral, mas entrega um filme funcional: a câmera respeita os corpos, os cortes não sabotam as lutas. O roteiro (de Shay Hatten, que também co-escreveu John Wick 3) economiza em profundidade, e isso pesa. Eve é interessante, mas nunca completamente desenvolvida.
Ainda assim, Bailarina tem charme. Funciona como exercício de estilo. Há beleza nos detalhes: um lençol manchado, uma gota de sangue caindo em câmera lenta, um olhar contido antes de matar. Ana de Armas segura tudo com uma fisicalidade discreta, mas firme.
No fim, o que resta é isso: uma dança sem música, uma história de vingança que respira através do movimento. E às vezes, isso basta. Para fãs da franquia e de filmes de ação.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry
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