A chegada de um irmãozinho

irmaozinhos

Acho que tive sorte. Apesar da gravidez do meu filho mais novo não ter sido planejada foi a melhor coisa que aconteceu na nossa família. O filho mais velho tinha exatamente um ano e três meses quando o pequeno nasceu. Pela pouca idade, Rafa nem lembra que foi filho único por um tempo.

Quando engravidei, expliquei que ele ia ter um irmão e enquanto minha barriga crescia sempre falava sobre o bebê. Na época ainda amamentava no seio. Era um no peito, outro na barriga. 

Com a aproximação da data do parto fiquei muito preocupada do Rafa sentir ciúmes do caçula. Foi nessa época que ajustamos a rotina da noite para que ele acostumasse a dormir na caminha dele junto com meu marido, e não comigo. 

Por isso, quando Biel chegou do hospital (com 15 dias, depois de um período na UTI e no CTI por ter nascido prematuro), a rotina do Rafa estava organizada e ele praticamente não sentiu diferença alguma com a chegada do bebê.

Tenha esse cuidado com seu filho mais velho. Principalmente se ele estiver na idade entre dois anos e meio e quatro anos, porque pode sim sofrer com a chegada de outro membro da família e a divisão de atenção.

Acho que fiz uma coisa que considerei importante e gostaria de compartilhar com vocês. Quando amamentei Biel pela primeira vez na frente do Rafa coloquei o mais velho na cadeira de alimentação e disse que ele ia papar e o bebê também. “Rafa, o bebê só pode mamar no peito da mamãe, e você já come tantas outras coisas gostosas, não é mesmo? Olha que gostosa está sua comida! Hoje, depois do papá vamos assistir um desenho com a mamãe?” Assim, ele começou a “conversar” comigo – conversar entre aspas porque ele tinha um ano e três meses! Nem eu que era a mãe entendia o que ele falava. Mas isso fez com que aquele momento fosse dele, e não do mais novo por estar no meu peito. Sim, o filho mais novo sempre vai ter que dividir atenção. Por isso não tenha dó do mais velho. Faz parte da vida e do amadurecimento pessoal. 

Nos primeiros dias, quando não estava dormindo em pé eu estava lendo livros com o Rafa, cantando ou assistindo desenho. Tive ajuda da minha família e isso é essencial. Aceite toda a ajuda que oferecerem para que você possa focar no que é mais importante.

Sim, eu estava cansada. Fui mãe de UTI e isso traz um desgaste emocional enorme, mas meu filho mais velho tinha UM ANO! Como eu poderia esperar que ele colaborasse com alguma coisa? Eu era a adulta e entendia que naquele momento ou tornava o “irmão mais velho” meu aliado ou viveria entre choros, birras e crise de ciúmes.

Rafa e Biel hoje formam uma dupla do barulho. São companheiros e felizes. Tenho certeza que o melhor presente que o Rafa já ganhou foi o irmãozinho mais novo!

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

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