Santa Casa só forneceu EPIs a seus funcionários em meados de abril

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Ação na Justiça do Trabalho aponta que hospital só teria comprado equipamentos de segurança depois do dia 8 de abril. No Evangélico, o problema seria “economia”

Telma Elorza

O LONDRINENSE

O afastamento de 95 funcionários da Santa Casa de Londrina e a confirmação de covid-19 em 15 deles chocou a cidade, na tarde desta quarta-feira (20). A repercussão da notícia fez com que começassem a chegar denúncias de irregularidades na Santa Casa e no Hospital Evangélico. Segundo as denúncias, a Santa Casa teria feito a compra e o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) a todos seus funcionários depois do dia 8 de abril. No Evangélico, embora tenham o equipamento em estoque, a denúncia é que estariam sendo liberados apenas para aqueles que têm contato direto com pacientes com covid-19.

Uma ação, datada de março deste ano, movida pelo Sinsaúde junto à Sexta Vara do Trabalho de Londrina, deveria ter obrigado a Irmandade da Santa Casa de Londrina (Iscal), mantenedora do hospital, a fornecer os equipamentos a enfermagem, técnicos e auxiliares de enfermagem, além do pessoal de limpeza e manutenção. A Iscal recorreu mas o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) manteve a decisão, que a mantenedora não cumpriu. O processo tem o número 0000280-17.2020.5.09.0673.

Trecho da reclamação do sindicato

Segundo o presidente do Sinsaúde, Joel Souza Lisboa, a Santa Casa demorou muito para cumprir a decisão. “Em 8 de abril já tínhamos vários casos de covid-19 em Londrina e, mesmo assim, tivemos que protocolar no Ministério Público do Trabalho um pedido para que o hospital cumprisse a decisão”, afirmou.

Segundo Lisboa, isso pode ser ter contribuído para o afastamento dos 95 profissionais e os 15 casos confirmados. “Eu estive lá na hora do almoço e me falaram de 30 funcionários afastados e 18 confirmados. Fiquei sabendo dos números totais pela imprensa”, disse. De acordo com o presidente, agora estariam cumprindo a determinação judicial. “Mas e esses 95 afastamentos? Isso é muito estranho. A irresponsabilidade inicial dos gestores pode ter contribuído para isso”, questionou.

Economia no Evangélico

Uma outra denúncia, feita por funcionários do Hospital Evangélico, também apontam que os EPIs estaria sendo “economizados”. “Estão regulando uso de toucas e outros EPIs, como as máscaras cirúrgicas, aquelas branquinhas. Antes, cada quarto tinha uma caixinha. Agora temos que pedir para supervisora mandar. Alegam que é necessário somente na unidade Covid”, disse uma funcionária do hospital. “Logo teremos um surto aqui também”, disse outra.

Print de um comunicado repassado pela direção do Evangélico

Segundo o presidente do Sinsaúde, ele esteve no Evangélico nesta quarta e verificou os estoques de equipamentos. “Estava tudo certo, tem suficiente. Não recebemos nenhuma denúncia sobre essa ‘economia’. O que estranhei é que, quando estive lá, me falaram de dois casos de funcionários com covid-19 e à noite fiquei sabendo que eram 10”, disse. Segundo ele, o hospital pode estar tentando economizar porque estão com as cirurgias eletivas suspensas, o que acarreta falta de dinheiro. “E os equipamentos são caros. Talvez esteja havendo um controle maior”, apontou.

A Secretaria Municipal de Saúde não quis se pronunciar sobre o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina, “cabe, neste primeiro momento, ao Ministério Público do Trabalho checar essas denúncias. A secretaria de Saúde não se manifestará antes disso”.

Evangélico

A diretoria do Hospital Evangélico divulgou uma nota oficial, através de sua assessoria de imprensa. Confira na íntegra:

“O Hospital Evangélico de Londrina entregou máscaras PFF2 para todos os funcionários (assistenciais e administrativos), inclusive das unidades externas do hospital, como o próprio sindicato da categoria pode confirmar. Todas as máscaras utilizadas possuem CA (Certificados de Aprovação) válidos. A utilização deste tipo de máscara pode ser feita por até 15 dias trabalhados sem nenhuma perda de eficácia.

Todo o fluxo e distribuição são acompanhados pela Engenharia de Segurança do Trabalho, respeitando todas as normas regulamentadoras vigentes. Não existe nenhuma medida de economia em relação à restrição do uso pelos colaboradores. Caso seja necessária a substituição, basta o colaborador ir ao setor responsável e solicitar a troca da máscara.

O uso dessas máscaras não é opcional, mas obrigatório em todos ambientes da instituição, e, tais medidas e normas foram amplamente comunicadas aos colaboradores, além de cartazes e banners visíveis no hospital”.

Santa Casa

A Iscal também respondeu aO LONDRINENSE com uma nota oficial. Leia na íntegra:

“A ISCAL (Irmandade da Santa Casa de Londrina) esclarece que seus três hospitais – Santa Casa, Mater Dei e Infantil Sagrada Família -, cumprem todas as normas de precaução à Covid-19 desde o início da pandemia. Isso é feito sempre a partir das últimas determinações da Anvisa e autoridades sanitárias.

Vale destacar que os protocolos de enfrentamento à pandemia estão em constante atualização pelas autoridades sanitárias, e consequentemente, pelos hospitais da Iscal, com mudanças e expansão de medidas conforme o avanço da pandemia.

Com relação à ação do SindSaúde sobre uso de máscaras, esclarecemos que ISCAL e Sindicato homologaram acordo em 16 de abril de 2020, com petição assinada juntamente com o Ministério Público do Trabalho. Nesse acordo, a ISCAL se comprometeu a fornecer máscaras para todos os funcionários. A distribuição de máscaras para todos, inclusive todos os administrativos, começou no dia 20 de abril, assim que máscaras anteriormente compradas chegaram à Instituição. Desde então, a ISCAL vem cumprindo o acordo.

Além das máscaras, os funcionários recebem outros EPIs necessários para sua segurança de acordo com área de atuação e função desenvolvida – máscara cirúrgica, máscara N95, avental, luvas e face shield.”

O LONDRINENSE está aguardando retorno do procurador do Ministério Público do Trabalho, Heiler Ivens de Souza Natali. Assim que conseguir as informações, a notícia será atualizada.

Foto: Iscal

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