Reforma do Moringão gera polêmica entre Conselho de Transparência e Prefeitura

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Presidente do Conselho alerta sobre gravidade da oxidação nas estruturas metálicas e pede que nova licitação especifique a troca

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Se não fosse a pandemia, que impediu a realização de eventos esportivos e sociais, a Prefeitura de Londrina estaria sentindo agora toda a ira de uma cidade com a reforma – ou a falta dela – do Ginásio de Esportes Professor Darci Cortes, o Moringão. A reforma está parada desde o final do ano passado, quando o Município rompeu o contrato com a construtora N. Da Cruz Alves (Pottencial Engenharia) por atraso no cronograma de obras. Em cinco meses de obras, a construtora havia entregue apenas 18% das obras . Um novo edital está sendo elaborado e, segundo o secretário municipal de Obras, João Verçosa, deve ser publicado logo.

No entanto, o novo processo de licitação – que nem começou – já é motivo de polêmica entre o Conselho de Transparência e Controle Social de Londrina e prefeitura. E o primeiro motivo é a demora. Com a obra parada, aberta, a degradação do ginásio está se acelerando. O segundo motivo é que o Conselho Municipal quer que toda a estrutura metálica degradada e oxidada pelo tempo – que não foi reformada desde a construção, em 1971 – seja consertada.

Segundo o presidente do Conselho, engenheiro eletricista Auber Pereira da Silva, desde antes do início da obra, no ano passado, ele vem alertando sobre a dimensão do problema e está sendo ignorado pela administração pública . “Eu identifiquei o problema durante um jogo de basquete, tinha chovido muito e estava molhado. Achei curioso e fui ver a base, que estava com corrosão”, disse. A partir daí, ele, junto com o arquiteto Renato Alves – que é especialista em estruturas metálicas – e o Observatório de Gestão Pública, fizeram uma vistoria. O secretário, alegando um pneu furado, faltou a essa vistoria”, disse. A vistoria gerou uma notícia de fato que foi encaminhada ao Corpo de Bombeiros, à Defesa Civil e a Controladoria. “Que foram ignorados”, afirma.

Na notícia de fato encaminhada em abril de 2019, o arquiteto Renato Alves – à época presidente interino do Instituto de Arquitetos do Brasil – seção Londrina – apontava “corrosão severa identificada nas bases da estrutura de apoio da cobertura” e que o “edifício possui apenas 4 apoios para sustentação da totalidade da cobertura metálica e quaisquer indícios de patologia em seus alicerces deve ter a devida atenção”.

A questão maior, para Pereira, é que a secretaria de Obras se baseia num laudo de uma empresa londrinense datado de 2017 que não aponta a gravidade da situação, a não ser na torre de sustentação de reservatório de água que está comprometida. O edital anterior, segundo ele, lançado após os alertas, não contemplava essas reformas. “Dois anos depois da realização do laudo, o problema estava muito agravado. Não é à toa que a empresa que pegou a reforma abandonou os trabalhos quando percebeu a extensão dos danos e que não estavam previstos no edital”, garante.

Segundo ele, agora, com as partes expostas ao tempo, a coisa piorou. “Agora, com o novo edital, isso é fundamental que sejam feitas essas correções porque pode por em risco toda a população que frequenta o espaço. Não sabemos se estão mantendo apenas as previsões iniciais ou não”, afirma o presidente do Conselho.

Renato Alves afirma que teria que ser feito um novo estudo, muito bem detalhado, porque havia um recalque na estrutura. “O recalque acontece quando há afundamento da estrutura. E se afunda perto de onde passa água deve estar acontecendo algum vazamento grave”, afirma. Segundo ele, é preciso detalhamento no novo edital. “Do jeito que estava o projeto no edital original, a construtora poderia fazer o que quisesse. Por isso, quando surgiu a oportunidade de por pra fora a construtora, eu dei apoio”, afirma. “A questão é que tudo isso está protocolado. A gente avisa, fala, aponta o erro e dá a solução e nada é feito. Depois dá problemas como o Viaduto da Dez de Dezembro, que já morreu gente ali e cujo traçado irregular estamos alertando desde a gestão passada”, diz.

Segundo o secretário de Obras, o edital anterior seguiu as recomendações do laudo elaborado por um escritório especializado, garantindo a solidez do local e contemplava restauração de algumas peças da estrutura e substituição do telhado. “Nós fizemos reuniões com eles e explicamos que nos foi dado o parecer técnico, que tem um responsável técnico, e que em momento algum falou da gravidade de corrosão na estrutura, sem apontar nenhum tipo de risco de colapso”, diz.

Segundo o secretário, o novo edital demorou porque foi preciso fazer o levantamento, um recálculo do que foi feito e do que ainda precisa fazer, para que a licitação seja vencida por uma empresa que tenha condições de executar essa obras, que são obras específicas e diferentes de uma construção comum. “Infelizmente, a construtora anterior não tinha capacidade técnica e não queremos que isso se repita”, afirma. “Todos os questionamentos feitos pelo Conselho de Transparência foram respondidos pela prefeitura”, garante.

Foto principal: Auber Pereira da Silva

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