Algumas categorias paralisam serviços por tempo indeterminado a partir de hoje. Outras deram mais uma semana para o governador Ratinho Júnior dar o reajuste
Equipe O LONDRINENSE com agências
No início da noite desta segunda-feira (24), o Governo do Estado anunciou que apresentou proposta para os servidores públicos após aproximadamente duas horas de reunião com o Fórum das Entidades Sindicais (FES) do Paraná. A proposta, que prevê a suspensão imediata de greve, será avaliada pela coordenação geral do FES nesta terça-feira (25). Entidades como APP Sindicato, SindSaúde e Sindarspen mantiveram a paralisação programada. Outras, como os representantes dos policiais militares e civis chegaram a um acordo e adiaram em uma semana as ações programadas para terça-feira (25).
A greve geral convocada é consequência da falta de resposta do governador Ratinho Junior (PSD) para as reivindicações da categoria, principalmente o pagamento da reposição salarial do funcionalismo, que está sem reajuste desde 2015.
Os trabalhadores pedem reposição salarial referente à inflação dos últimos 12 meses, que representa 4,94%.
As categorias, porém, afirmam que o congelamento já representa perdas salariais que alcançam os 17%.
Na avaliação dos representantes dos trabalhadores, o governo atual repete a prática da gestão Richa (PSDB), de subestimar as previsões de arrecadação para tentar justificar o calote no funcionalismo.
O que diz o Governo
Em entrevista coletiva concedida em Londrina, no dia 20, Ratinho Junior afirmou que o seu desejo é dar o reajuste aos servidores, na data-base, mas que o problema é que o governo não tem dinheiro.
“Estamos fazendo esforços, cortando mordomias para construir um projeto que permita, daqui a alguns meses ou no ano que vem, dar reajuste aos funcionários. Minha função como governador é cuidar do equilíbrio e garantir saúde financeira ao Estado”, disse.
Ele afirmou que o esforço para melhorar o estado não deve ser só do governo, mas de toda a sociedade. “Podemos até pensar em reajuste, mas seria necessário aumentar impostos. E precisamos perguntar para a sociedade se quer aumento de imposto para dar reajuste para servidor”, disse ele.
Segundo o Governo Estadual, a média salarial das principais carreiras do funcionalismo no Estado cresceu entre 8,2% e 33,9% de 2016 a 2019. Mesmo sem a concessão de reajustes, o salário teria aumentado por conta avanços de carreira concedidos pelo Governo do Paraná.
O maior crescimento foi registrado entre 17 mil funcionários da rede estadual de educação. Na média, o vencimento deste grupo subiu de R$ 3.319,00 para R$ 4.443,00 em três anos, o que representa um aumento de 33,9%, de acordo com o governo.
No mesmo período, os cerca de 60 mil professores do quadro próprio do Estado tiveram um aumento de 16,9% no salário médio, que passou de R$ 4.460,00 para R$ 5.215,00, garante o governo.
Também na saúde, segundo o governo, 6.762 servidores registraram um incremento de 19,3% entre 2016 e 2019, com a média salarial subindo de R$ 5.688,00 para R$ 6.785,00.
Entre as principais categorias do Estado, também consta o aumento de 15,6% na carreira da Polícia Militar, com 19,6 mil militares; de 12% do Quadro Próprio do Executivo (8.832 servidores); e de 8,2% da Polícia Civil (3.874), afirma o governo estadual. Hoje, de acordo com os dados governamentais, a média salarial dessas categorias é de, respectivamente, R$ 5.796,00, R$ 8.127,00 e R$ 8.457,00.
Foto: Dálie Felberg/Alep

