Londrina vê nova modalidade de abandono de animais

ada

Casos são comuns na cidade, onde as Ongs fazem o papel do poder público; adoção, no entanto, pode resgatar vidas

Juliana Nunes

Equipe O LONDRINENSE

O LONDRINENSE recebeu denúncias sobre uma nova modalidade de abandono de animais: as pessoas estão levando os bichinhos aos pet shops e clínicas, com solicitação para banho e tosa ou suspeita de alguma doença que precisa de internação, passam contatos falsos e nunca mais voltam para buscá-los.  As denúncias foram confirmadas por voluntários de Ongs protetoras de animais e por um médico veterinário, que não quis se identificar. Nenhuma Ong ou pet shop quis dar mais detalhes, com receio que novos casos sejam registrados.

Em Londrina, os protetores afirmam: nos últimos sete anos, o número de abandono de animais aumentou exponencialmente e as políticas públicas nunca são implantadas a tempo de fazer diferença. ONGs e instituições como a Associação Defensora dos Animais (ADA), SOS Vida Animal, Amigo Bicho e Projeto Sete Vidas, entre outras, fazem o papel do poder público e resgatam, tratam, cuidam e encaminham para adoção milhares de animais todos os anos. As políticas públicas nunca chegam a tempo para ajudar.

E não há como ficar esperando. “É preciso que cada um faça sua parte e zele pela vida de um animal em risco. Se você tiver condições, ao se deparar com um animal na rua, sem tutor, que apresente sinais de maus tratos ou esteja em situação de risco, é aconselhável que o mesmo seja encaminhado para uma clínica veterinária. Se não forem necessários cuidados especiais, a recomendação é para levar pra casa, ou um outro ‘lar temporário’ e, posteriormente, buscar a adoção deste animal caso não possa ficar com ele”, recomenda a advogada Bruna Zandoná Reche, vice-coordenadora da comissão de direitos humanos da OAB e uma das voluntárias da ADA.

E os números são, de fato, espantosos. De acordo com um levantamento feito pela Secretaria Municipal do Ambiente (SEMA), Londrina conta com cerca de 60 mil animais abandonados. Somente a ADA, tem atualmente mais de mil animais abrigados, sendo que, em 2018, a Ong resgatou cerca de 400 animais, dos mais variados tipos, portes e raças, sob diversas situações de abandono e maus tratos.

O abandono e maus tratos de animais é crime, passível de detenção e multa. E se for flagrados, devem ser relatadas à polícia e  à SEMA, que dispõe de uma linha direta (WhatsApp: 43 99994-8677) para onde podem ser encaminhadas denúncias, incluindo vídeos e imagens comprovando os relatos. Postagens em redes sociais também são ótimas ferramentas para a responsabilização do agressor.

Histórias de amor

Alessandra e e o marido Vagner levando Docinho para casa

Adotar não é só responsabilidade, mas um ato de amor. Foi amor que ligou Docinho – mestiça de Shih-tzu, hoje com aproximadamente 2 aninhos – com sua dona. “Num cantinho, vi uma cachorrinha arredia, toda encolhida e com dificuldade para andar.  Me apaixonei por ela e nem procurei saber o problema que ela tinha em se locomover ou o motivo que a fez ir parar no abrigo. Eu apenas queria ela pra mim. Saí de lá com ela na cabeça e, chegando em casa, já entrei com o processo de adoção”, conta Alessandra Mendes (42), que adotou a Docinho na ADA, em novembro de 2017.

Quase um ano depois, em agosto de 2018, Alessandra entrou com outro processo de pedido de adoção. “Dessa vez foi a Sophia que me escolheu. Ela chegou no abrigo sem pelos no corpo, pois foi abandonada com sarna, mas hoje está linda. Tem aproximadamente uns 4 anos”, conta, entusiasmada.

Matheus e Desirée, com a pequena Nina

Desirée e Matheus de Freitas Oliveira resolveram aumentar a família  há seis meses, com a adoção da Nina, uma cachorrinha linda, sem raça definida. “Ela estava toda encolhidinha no seu cercadinho, uma verdadeira ‘lady’. Pegamos ela no colo, ela se acalmou, aconchegou, nos lambeu, ali já sabíamos que tinha que ser ela”, lembra Desirée.  O casal conta que se interessaram por um evento divulgado pelo Facebook, sobre uma feira de adoção que aconteceria no Shopping Boulevard, em Londrina, promovido pelo Projeto Sete Vidas, embora tenham cogitado a possibilidade de comprar um cachorro. No final, depois de muita discussão, decidiram que adotar era melhor. Hoje, incentivam os amigos a adotar.

 “A adoção não pode ser levada como brincadeira, você está levando um ser vivo para casa, então certifique-se de que terá condições, tempo, amor, carinho e que pode oferecer seu melhor ao bichinho. Entenda que tudo é uma adaptação e que eles também têm fases, e você precisa estar disposto a passar por isso”, aconselha Desirée e revela que Nina mudou a vida do casal. “Foi fazendo o bem para ela, que ela transformou as nossas vidas”, diz.

ADA

A ADA é uma das poucas Ongs que dispõe de espaço para recolher animais. Tudo começou quando Santoura, uma cachorrinha que precisava de socorro imediato, foi resgatada pela Anne, em novembro de 2012. Ali, ela , onde pôde finalmente encontrar cuidados, carinho e proteção no novo lar. Cristiane Moraes de Souza, a Anne, e sua irmã decidiram, então, trabalhar pela proteção e defesa de animais abandonados. Fundaram a ADA e, desde então, nunca mais pararam.  Profissão: dedicação aos animais 24h por dia, nos 365 dias do ano.

Projeto Sete Vidas

O Projeto Sete Vidas não tem uma sede específica, mas auxilia toda a comunidade por meio das redes sociais e abre espaço em suas feiras – realizadas uma vez por mês no Shopping Boulevard –, para que interessados, tanto em ajudar, quanto em oferecer e adotar os animais, possam se encontrar para negociar adoções responsáveis . De acordo com a empresária Silvana Chinezi, uma das representantes voluntárias e ‘gateira’ do Sete Vidas, apesar de ainda existir um número muito grande de abandonos de animais, é possível já observar alguma mudança no comportamento das pessoas.

Segundo Silvana, atualmente, é cada vez maior a quantidade de campanhas de conscientização, em escolas, eventos e grandes estabelecimentos comerciais, e os resultados são cada vez mais satisfatórios. “Não há necessidade de abandonar o animal. Existem inúmeros grupos de protetores que estão aí pra isso. Nas redes sociais, mesmo que, em sua página pessoal, é só divulgar, colocar uma foto, pedir ajuda, que sempre vai ter alguém interessado em ajudar”, diz.

Também quer adotar? Veja se você está pronto

O primeiro passo é estar consciente sobre o tamanho da responsabilidade que você estará prestes a abraçar. Consulte sua família, verifique se seu espaço é adequado e se tem condições financeiras e psicológicas suficientes para seguir em frente. Depois disso, é só entrar em contato com uma Ong e fazer sua solicitação. Alguns optam por não realizarem a conhecida feira de adoção que, conforme explicam os voluntários, costuma ser estressante para os animais. Neste caso, os possíveis adotantes podem conhecê-los em uma visita agendada, encontrando-os em seu habitat de costume e, assim, identificar qual animal melhor se enquadra ao seu estilo de vida.

Outra opção é ficar de olho na agenda de eventos das principais ongs ou de grandes estabelecimentos comerciais, como shoppings e supermercados, que, frequentemente, realizam as feiras, com os animaizinhos em exposições abertas ao público. Em todos os casos, são solicitados documentos de identificação e, em algumas situações, os responsáveis fazem visitas à residência para confirmar se o novo lar é propício para o recebimento do animal. Feito isso, é só aguardar para curtir a ‘maternidade’.

Separamos aqui algumas dicas importantes enviadas por especialistas para você fazer uma autoanálise:

– Sua residência tem espaço suficiente para a espécie escolhida?

– Cães e gatos chegam a viver de 10 a 20 anos. Você está realmente disposto a cuidar dele por toda a vida?

– Nas suas férias e períodos de ausência haverá pessoas para cuidar dele?

– Toda a família está de acordo em receber o novo integrante?

– Você está disposto a arcar com as despesas de um animal? Além de amor, alimentação e abrigo, ele vai precisar eventualmente de cuidados veterinários e remédios.

– Se você mora em apartamento ou numa casa com um pátio pequeno, analise se você terá tempo e disponibilidade para passear com ele. Animais necessitam de exercício físico com regularidade.

– Seu animalzinho ficará sozinho em casa por longos períodos? Cães deixados presos latem, choram, ficam estressados e, com isso, acabam “aprontando” para se distrair. Além disso, podem incomodar os vizinhos.

Fotos: Acervos pessoais

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Respostas de 2

  1. Bela matéria. Inadmissível tratar animais indefesos como lixo. Deveriam ser realmente punidos! Sabemos que existe lei para isto, mas infelizmente a fiscalização ainda é falha! A Silvana Chinezi faz um trabalho fabuloso e já adotamos e tivemos todo o apoio do projeto 7 vidas! Por
    Mais pessoas com amor e respeito aos animais, seres inocentes!

  2. Bela matéria! Inadmissível maltratar e abandonar esses seres indefesos! O infrator deve ser realmente punido por praticar atos assim. Existe lei para isto, mas a fiscalização é falha. Quem não gosta apenas respeite! Quem não tem condição é capacitas-te de cuidar e dar amor, não adote. E parabéns a Silvana Chinezi pelo excelente trabalho realizado junto ao Projeto 7 vidas! Adotamos e tivemos todo o apoio, inclusive o cuidado pós adoção que realizam!

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