Londrina registra mais dois casos de sarampo. No Paraná já somam 231 casos

Measles

Número vem crescendo toda semana, são 74 casos novos no Estado

Telma Elorza com AEN

O Boletim Epidemiológico do Sarampo divulgado nesta quinta-feira (24) pela Secretaria de Estado da Saúde destaca 231 casos confirmados da doença no Estado, 74 a mais que na semana anterior. São 707 notificações para o sarampo, com 139 casos já descartados e 337 em investigação. O balanço refere-se ao período de 1º de agosto até essa quarta (23). Em Londrina já são três casos confirmados, dois nessa semana. Seis outros estão sendo investigados, aguardando resultados de exames.

Segundo o secretário de Saúde de Londrina, Felippe Machado, um dos novos casos confirmados esta semana é de um rapaz de 28 anos, morador da zona leste, que não saiu da cidade nem teve contato com pessoas de fora. “Isso nos acende um sinal de alerta em relação à circulação viral nesse momento, na cidade”, disse. Segundo o secretário, nesse caso, a comunicação foi feita tardiamente e não houve como fazer o bloqueio. O rapaz chegou a ficar internado quatro dias. O que chamou atenção é que o rapaz havia sido vacinado.

O outro caso é o de um rapaz de 19 anos, que participou da rave em Maringá junto com o primeiro caso confirmado de sarampo em Londrina. O jovem foi atendido na UPA Centro Oeste no dia 21 de setembro e afirmou que começou a apresentar os sintomas no dia 19 do mesmo mês. 

“É uma situação de alerta e intensificamos a importância da vacina, pois o sarampo pode ser evitado com a imunização. A vacina tríplice viral é altamente eficaz e segura, protege todas as faixas etárias e está disponível em todas as unidades de saúde. Reforçamos que vacinar é um ato de prevenção, proteção e que salva vidas”, afirma o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Machado, por sua vez, diz que não adianta a Prefeitura fazer ações diferenciadas para intensificar a vacinação se não houver conscientização das mães, pais e responsáveis em levar seus filhos para vacinar. “Estamos com apenas 62% de cobertura vacinal. Fizemos o Dia D, no sábado, com 52 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) abertas o dia todo e vacinamos apenas 656 pessoas”, disse. Mas, segundo ele, a ideia é buscar novas estratégias em parceria com a Secretaria de Educação, nos maiores CEIs e CEMEIs, mas se não houver essa conscientização dos responsáveis não vai adiantar”, afirma.

Cadeias de transmissão

Dos 231 casos confirmados no Estado, 27 apresentam como a provável fonte de infecção o estado de São Paulo. Outros quatro casos indicam que, possivelmente, a contaminação ocorreu em Santa Catarina; 25 apontam cadeias de transmissão distintas, em festas e estabelecimentos comerciais de grande aglomeração, e 175 casos não mostram vínculo definido.

A Região Metropolitana soma 223 casos: 173 foram registrados em Curitiba; 15 em Colombo; 9 em São José dos Pinhais; 7 em Campo Largo; 6 em Pinhais; 4 em Piraquara; 3 em Almirante Tamandaré; 2 em Campina Grande do Sul; 2 em Campo do Tenente; 1 em Fazenda Rio Grande e 1 em Rio Branco do Sul.

No interior, os municípios que registram casos confirmados são: Ponta Grossa (1), Maringá (2); Londrina (3); Rolândia (1) e Jacarezinho (1).

Altamente contagioso

Transmitido por secreções respiratórias, o sarampo é altamente contagioso. Se um doente espirra ou tosse, o vírus permanece vivo no ar por cerca de duas horas. Um doente pode infectar mais de 12 pessoas.

O período de incubação do vírus varia de oito a doze dias e a transmissão inicia-se antes do aparecimento da doença, permanecendo até o quarto dia após surgiram manchas vermelhas na pele, que são os exantemas.

O vírus reduz a eficácia do sistema imunológico e deixa o organismo fragilizado e suscetível a outras infecções. “As crianças e os adultos jovens são as faixas etárias mais vulneráveis ao sarampo. Por isso estamos realizando, junto com o Ministério da Saúde, a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, intensificando a imunização destes dois públicos” disse a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes.

Ela acrescenta que para as crianças a vacinação começou em 7 de outubro e segue até esta sexta (25) com o objetivo de ampliar a vacinação em crianças de seis meses a menores de cinco anos. Na segunda etapa da campanha, de 18 a 30 de novembro, serão imunizados prioritariamente adultos jovens, com idade entre 20 e 29 anos. Dos 231 casos confirmados no Paraná, 211 atingem o público entre 10 e 39 anos”.

A secretaria estadual da Saúde informa ainda que, simultaneamente à campanha, a vacinação segue como rotina nas unidades, que mantém as ações de bloqueio vacinal diante das notificações de casos da doença.

Toda a população com idade entre 1 e 29 anos deve receber duas doses da vacina tríplice viral e de 30 a 49 anos, uma dose. Neste período de contaminação o Programa Nacional de Imunização também disponibiliza a vacinação para os bebês de 6 a 11 meses, a chamada Dose Zero.

“Além disso, as pessoas que tiverem dúvidas quanto à imunização devem procurar um posto de vacinação, com a carteira vacinal em mãos, para que um profissional de saúde verifique a necessidade de aplicação da dose”, reforça a coordenadora de Vigilância em Saúde, Acácia Nasr.

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