Inquérito policial vai investigar intolerância religiosa em Londrina

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Ataques foram feitos em uma rede social contra um dirigente da Umbanda por conta da campanha política

Telma Elorza

Época de campanha política é um “salve-se quem puder”, com ataques de todos os tipos, para todos os lados. Só que as coisas não são tão simples e podem resultar em processos. Comentários no Facebook, feitos pelo irmão da vereadora Daniele Ziober Sborgi (PP), Paulo Ziober Sborgi, virou caso de polícia e pode virar um inquérito criminal por intolerância religiosa.

O caso ocorreu no dia 23, quando o irmão da vereadora começou a postar publicações contra o candidato a vereador Deivid Wisley (PROS), atacando um amigo e colaborador da sua campanha, o dirigente de Umbanda e militante da causa animal Eduardo Torrezan. Usando termos depreciativos contra a religião de Torrezan, Sborgi atacou o candidato – que também trabalha na causa animal, como sua irmã, disputando eleitores – desmerecendo-o por se relacionar com “macumbeiros”. Uma postagem, compartilhada da página Centro Espiritualista Caridade e Amor do qual Torrezan é dirigente, foi usada para “ilustrar” o ataque de intolerância.

Além de registrar ocorrência na Polícia Civil – na Central de Plantões e nesta segunda-feira, na 10a. Subdivisão Policial de Londrina (SDP) -, Torrezan vai abrir um processo contra seu atacante. Segundo a lei 7716/1989, que trata de crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” deve ser punido com prisão de um a três anos e multa.

O dirigente umbandista disse que não vê diferenças entre católicos, evangélicos, umbandistas ou candomblecistas. “Vejo apenas seres humanos. Em um país onde temos tanta mistura étnica e em um momento tão difícil para todos, com pandemia, crise econômica, fome, é inconcebível que alguém, em pleno século 21, ainda queira separar ou julgar pessoas por suas opções de credo. O Jesus que ele cita, enquanto coloca que evangélicos e umbandistas não podem ser amigos, só ensinou o amor, a caridade o respeito”, afirmou.

Segundo ele, esse tipo de conduta o deixa triste. “Já perdi emprego por buscar a Deus da forma que me ensina a ser um ser humano melhor. Ver esse tipo de ataque, a forma pejorativa a qual se refere, nos faz buscar pela justiça dos homens o exemplo e a punição pra que esse tipo de ato cada vez menos esteja presente em nossos dias”, explicou.

Torrezan disse que Sborgi já o havia ofendido antes. “Em momento nenhum ofendi esse senhor e, antes mesmo dos posts usando os termos ‘macumbeiro’ e ‘pomba gira’ de forma pejorativa, já tinha dito que ‘conhece pessoas da minha raça’. O que posso fazer é denunciar e tentar acreditar que a justiça dos homens também é para todos”, disse. Segundo ele, em seu terreiro, um grupo de pessoas se reúne pra praticar a caridade sem nenhum tipo de interesse, sem nenhuma cobrança, “onde todos são bem vindos, indiferente de raça, credo, orientação sexual, todos tratados de forma digna, respeitosa, tentando trazer o amor, o acolhimento, a esperança e a fé em Deus nesse mundo cada vez mais vazio de sentimentos”, afirmou.

Segundo o advogado de Paulo Sborgi, Eduardo Duarte Ferreira, os ânimos estão acirrados na política atual. “E o candidato, sabidamente que disputa o mesmo eleitorado da parente dele, faz uma denúncia criminal para ter publicidade. Querem ver intolerância religiosa onde tem que ver basicamente política”, afirmou. Segundo o advogado, não houve intenção de seu cliente em vilipendiar qualquer instituição ou credo religioso. “É tudo muito subjetivo, ainda mais num País como o nosso que tem um forte sincretismo de crenças. Não é um comentário qualquer que pode ser considerado intolerância”, disse. O advogado disse que, se houver continuidade, vai processar o candidato por denunciação caluniosa política. o que “vai acarretar vários problemas”.

Foto: Boletim de Ocorrência

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Respostas de 3

  1. Isso é mais comum que se imagina. E tem quem minimize um boletim de ocorrência, dizendo que é apenas uma notificação na delegacia. Mas é a prova de que tem algo errado e se relevar, algo pior pode acontecer…

  2. Isso serve como incentivo a tds q se sentem ofendidos e agredidos diariamente, não podemos permitir que as pessoas continuem atacando, temos obrigação de pocurarmos nossos direitos pra q casos assim não se repitam

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