Empresa diz que está enfrentando problemas financeiros porque Município não teria feito repasses para garantir a operacionalização
Telma Elorza
O LONDRINENSE
Em nota divulgada agora pouco, a empresa de Transporte Coletivos Grande Londrina (TCGL) jogou a culpa pela greve surpresa dos motoristas de suas linhas, na manhã desta sexta-feira (23), nas costas da Prefeitura de Londrina. Na nota, a empresa afirma que está enfrentando problemas financeiros para cumprir com as obrigações trabalhistas porque a Prefeitura não teria feito repasses financeiros para garantir a operacionalização do transporte público durante a pandemia.
Segundo a empresa, as operações foram mantidas em 90% da capacidade como determinado pela administração, mas não tiveram retorno porque as medidas decretadas para conter a pandemia reduziu o fluxo de passageiros a 20% do habitual. E protocolaram um ofício pedindo uma audiência com o prefeito Marcelo Belinati (PP), para discutir medidas para reequilibrar o sistema de transport urbano de passageiros. “Hoje, passados mais de 7 (sete) meses desde o início da pandemia, e sem a necessária contrapartida financeira da Administração Municipal, no tocante ao restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do sistema, a manutenção do serviço público de transporte está severamente comprometida, pela falta de recursos financeiros necessários à sua operação”, diz a nota.
Cerca de 200 motoristas das empresas de transportes coletivo TIL e Grande Londrina cruzaram os braços nesta manhã. A greve foi causada porque os motoristas não teriam recebido o vale, que corresponde a 50% do salário como consta em acordo coletivo. A empresa Londrisul, que cobre região sul da cidade está operando normalmente.
Segundo a assessoria de imprensa da CMTU, já foram tomadas medidas para que a Londrisul opere também, além das linhas já compartilhadas definidas em licitação, 17 trajetos feitos pela TCGL. São elas: 102, 106, 113, 200, 206, 314, 406, 408, 417, 423, 428, 501, 800, 803, 806, 904 e 906.
CMTU – O diretor de Transportes, Wilson de Jesus, disse que o serviço precisa ser reestabelecido o mais rápido possível. De acordo com ele, esta greve não poderia acontecer porque a população não foi informada sobre ela, e que as pessoas foram surpreendidas com a ausência da operação. “A legislação federal determina que haja um aviso de paralisação 72 horas de antecedência, principalmente em serviços essenciais como é o transporte público”, disse. Segundo ele, tão logo o ofício chegou à prefeitura, o diretor da TCGL foi atendido e nenhum momento foi dado o aviso de greve. “Eu mesmo atendi ele”, disse.
Jesus afirmou que, das duas empresas que operam em Londrina, uma está em funcionamento normal, com os salários em dia. “Me parece que não é esse o problema. É um raciocínio muito simples: há uma outra empresa que não tem nenhuma relação com a CMTU e Prefeitura que também está parada. Porque a TIL é coordenada pelo governo do Estado. Aí você tem uma outra empresa que opera no Município de Londrina e que está trabalhando. A TCGL precisa rever sua administração, uma vez que a outra não enfrenta os mesmos problemas”, disse.
Leia na íntegra a nota oficial da TCGL:
Londrina, 23 de outubro
“A respeito da paralisação do serviço público de transporte coletivo urbano de passageiros ocorrida na data de hoje (23/10/2020), deflagrada pelos trabalhadores da categoria, a concessionária TRANSPORTES COLETIVOS GRANDE LONDRINA LTDA., em respeito à população londrinense, tem a informar que:
a) Desde meados do mês de março de 2020 o sistema de transporte coletivo urbano de passageiros teve aumentado, assustadoramente, o seu desequilíbrio econômico e financeiro. É que com a ocorrência da Pandemia provocada pelo coronavírus (COVID-19), o número de passageiros pagantes reduziu verticalmente e as despesas não puderam ser reduzidas na mesma proporção, em face das medidas (necessárias) de isolamento social adotadas pela Administração Municipal. Vale dizer: foi mantida a operação de 90% (noventa por cento) das linhas para cerca de 20% (vinte por cento) da demanda.
b) Inúmeros expedientes, desde então, foram endereçados ao Prefeito Municipal e ao Órgão Gestor (CMTU-LD), onde se pediu adoção de providências emergenciais para enfrentamento do desequilíbrio econômico-financeiro instalado no sistema de transporte coletivo. Mas, infelizmente, até o presente momento, as medidas adotadas pela Administração Municipal foram ineficazes ao restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte coletivo de passageiros.
c) Fiel ao seu propósito de bem servir a população e não deixá-la desassistida nesse momento excepcional e delicado que vem assolando a humanidade, esta Concessionária lançou mão de inúmeras medidas trazidas pela legislação nacional, que, contudo, igualmente não foram suficientes para conter o impacto causado pela queda brutal e sem precedentes de usuários pagantes do sistema.
d) Fato é que, hoje, passados mais de 7 (sete) meses desde o início da pandemia, e sem a necessária contrapartida financeira da Administração Municipal, no tocante ao restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do sistema, a manutenção do serviço público de transporte está severamente comprometida, pela falta de recursos financeiros necessários à sua operação.
e) Lamentavelmente, diante destas circunstâncias, esta Concessionária não teve, pela primeira vez em sua história, recursos financeiros disponíveis para realizar o pagamento, em dia, dos salários de seus colaboradores.
f) Por conta disso, a GRANDE LONDRINA informa que no dia 21/10/2020 protocolizou ofício ao Prefeito Municipal (doc. anexo), com cópia ao Órgão Gestor (CMTU-LD), solicitando uma AUDIÊNCIA para que fosse discutida, conjuntamente, as medidas que serão adotadas pela Administração Pública para reequilibrar, econômica e financeiramente, o sistema público de transporte coletivo urbano de passageiros, mas ainda não se teve resposta.
g) Por fim, a GRANDE LONDRINA vem a público agradecer os colaboradores que, mesmos cientes da gravidade atual da economia brasileira, não abandonaram e/ou paralisaram seus postos de trabalho, sabedores da importância e essencialidade do serviço público de transporte à população, ao tempo que informa que está empreendendo todos os esforços para, junto ao Poder Concedente, regularizar a situação dos pagamentos, o mais rápido possível. “
DIRETORIA DA GRANDE LONDRINA
Foto: TCGL
