Perdas na safra da soja podem chegar a 30%

foto: Viacheslav Rubel-Shutterstock

Calor intenso e baixa umidade impedem a produção do grão, principal cultura desta época na região de Londrina

Loriane Comelli
Equipe O LONDRINENSE

O intenso calor e chuvas irregulares registrados entres os meses de dezembro e fevereiro podem ter causado até 30% de perdas na safra de soja 2018/2019. A estimativa é do Sindicato Rural de Londrina, que representa produtores da região Norte do Paraná. “Não temos números fechados, porém por causa da pouca chuva e da falta de umidade, a gente está trabalhando com perdas de 30%”, disse o presidente do sindicato, Narciso Pissinatti.

O geógrafo Pedro Guglielmi Júnior, do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), disse que o relatório fechado em janeiro apresentava perdas de 7% em relação à produção estimada, que é de 3.709 quilos por hectare. Na região do Deral, que abrange Londrina e outros 18 municípios, a área plantada foi de 309.100 hectares. “Já consolidamos as perdas de 7%, mas até o final da colheita esse número vai aumentar”, disse Guglielmi.

O plantio da soja começou no final de setembro e se estendeu até dezembro. Alguns agricultores já colheram, com perdas; a colheita dura ainda uns 40 dias.

Ele explicou que as chuvas regulares – a cada semana ou a cada dez dias – são fundamentais para o desenvolvimento da soja. Sem isso, os processos de germinação, floração e maturação não se completam e a planta não produz.

Segundo Guglielmi, o milho de verão também deverá ter perdas, mas é mais difícil estimá-la porque o cultivo é feito por pequenos produtos e as informações são escassas. Hortaliças produzidas na região também foram afetadas e o preço nas feiras é um balizador. Não há dados concretos sobre as perdas. 

Para Pissinatti, perdas médias de 30% podem inviabilizar os trabalhos de muitos agricultores. “Alguns poderão ter perdas maiores. Mas veja, apenas os custos de produção são em torno de 70%, sem contar o capital inicial e a mão de obra do produtor”, contabilizou. Praticamente toda a soja produzida na região de Londrina é exportada. O preço da saca hoje é de R$ 70,5.

ESTIAGEM E CALOR

O calor e a falta de chuvas podem ser mensurados pelos dados Instituto Agronômico do Paraná (Iapar): em janeiro, a temperatura média foi de 25,8 e a média das temperaturas máximas nesse mês ficou em 32,6 graus, maior valor dentro da série histórica do instituto, que considera os registros de 1976 a 2017. O janeiro com média de máximas mais elevadas foi em 1993, com temperatura de 29,5 graus. O tempo também ficou seco. Em dezembro, choveu 55,8 milímetros; em janeiro, 157,6 milímetros; e o acumulado de fevereiro até o dia 14 é de 51 milímetros.

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