Por André Luiz Lima
Na arte dos encontros vamos seguindo as rotas e, hoje, quem se levanta para ser conectado são as cores, cores que carregam significado e nos propõem energia vibrante para nossas experiências pessoais e para a própria experiência de viver.
Vivemos o fim de uma era de neutralidade. Por anos, fomos convencidos de que o “menos é mais”, de que o bege, o cinza e a sobriedade das formas e cores contidas eram os únicos padrões da sofisticação e do equilíbrio. Mas as vitrines do tempo, apontando para 2026, revelam um grito silencioso que começa a ecoar: o mundo está exausto do vazio, exausto do neutro, exausto do que não expressa.

Estamos entrando na era do Maximalismo Sensorial e da Teatralidade Humana. Na minha jornada com o método O Poder da Expressão, sempre defendi que a vida não é algo para ser apenas “gerida”, mas sim atravessada — atravessada com presença, com consciência e com expressão. Com cor! E esse atravessamento só se torna real quando nos permitimos o encontro — com o território, com o outro e, fundamentalmente, com a nossa própria identidade.
O novo luxo não é mais o destino; é a experiência emocional que ele causa no nosso estado de espírito. Em 2026, viajar deixará de ser uma coleta de carimbos para se tornar uma experiência de cura, uma experiência de consciência, cheia de cores. No projeto Brasil Extraordinário, propomos que o território não seja apenas um cenário, mas um corpo vivo que interage com quem o pisa e com quem se permite sentir.
Mais do que percorrer lugares, trata-se de atravessar camadas invisíveis — culturais, emocionais e simbólicas — que sustentam a alma de cada território. Quando falamos em Expressão em Território, estamos falando de ocupar o Brasil com a consciência de que cada esquina, cada sotaque e cada cor é uma ferramenta de transformação, uma experiência viva de identidade.
As pessoas não buscam mais hotéis; elas buscam experiências, buscam encontros, buscam sentido. Elas buscam palcos onde possam se tornar visíveis para si mesmas.
Sem medo das cores
E talvez por isso, em meio às conversas em Ouro Preto, uma percepção tenha permanecido ecoando com força. O prefeito Ângelo, em sua escuta atenta, trouxe uma visão definitiva: hoje, mais do que gestores, precisamos de curadores. Curadores de histórias, de territórios, de experiências e de sentido. Essa visão não fala apenas da cidade — fala do nosso tempo.

A Arte dos Encontros acontece onde a vida é celebrada sem medo da intensidade e das cores. O maximalismo que as tendências anunciam é, na verdade, um convite para pararmos de esconder nossa complexidade, nossa história e nossa expressão.
No meu ateliê, o objetivo é criar essa imersão onde o digital e o tátil se fundem. É o local onde a organização pessoal encontra a liberdade artística, transformando o caos interno em uma narrativa potente e autoral. Não queremos mais a funcionalidade fria. Queremos experiência. Queremos presença. Queremos a teatralidade de um jantar que parece uma cena de filme, a profundidade de uma conversa que se torna uma obra audiovisual e a coragem de expressar o que é genuinamente brasileiro, com vida e cor.
Neste caminho de busca pela excelência e pela experiência, recordo-me do impacto que tive ao conhecer a obra de Carlos Bracher em Ouro Preto. Ali, diante de suas telas, cheias de cores, compreendi que a realidade é apenas uma sugestão — o que importa é a força da pincelada, a vibração do amarelo, a intensidade dos traços que parecem dançar e agonizar em beleza simultaneamente.
Bracher não pinta apenas igrejas ou montanhas; ele pinta o sentir do território. Suas cores não pedem licença; elas atravessam o espectador. E talvez seja justamente isso que o mundo esteja buscando novamente: não mais observar, mas sentir, viver e experienciar.
É essa a essência que proponho para as experiências do Brasil Extraordinário: que sejamos capazes de olhar para o nosso cotidiano e para as nossas viagens com a mesma audácia. Que possamos substituir a palidez da indiferença pelo vigor da expressão. Que cada encontro seja uma experiência. Que cada experiência seja uma travessia. Que cada travessia nos torne mais visíveis.
Afinal, para se tornar verdadeiramente visível é preciso ter a coragem de atravessar o mundo com toda a cor que carregamos dentro de nós.
Viva a arte dos encontros.
Viva a Vida, André.
Foto principal: Pintura de Carlos Bracher/Fonte: Itaú Cultural
André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante e produtor cultural.
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