Uso de tecnologia nas escolas é irreversível

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É verdade que em muitos lugares, como cidades e estados brasileiros, o uso de celular e outros equipamentos eletrônicos sem fins pedagógicos é proibido em sala de aula. Uma medida compreensível diante do uso desenfreado por parte de adolescentes e jovens. Não é, entretanto, a melhor forma de lidar com o problema, que aqui prefiro chamar de desafio. Afinal, é irreversível a presença de celulares, tablets e computadores nas nossas vidas. Então, o caminho não é proibir, mas saber usar. Principalmente se queremos nos preparar para uma educação 4.0, a chamada educação do futuro.

O que precisamos entender é que nossos professores, muitos nascidos no século passado, têm dificuldades de se adaptar às novas tecnologias. Não é que não saibam usa-las ou mexer nelas. Pelo contrário, a maioria tem contas em redes sociais e se comunica por aplicativos de mensagens. O problema é que as mudanças são muito rápidas (isso inclui as inúmeras atualizações) e fica difícil acompanhar toda essa transformação. Muitas plataformas disponibilizadas utilizam tecnologias avançadas, inimagináveis anos atrás ou vistas apenas em filmes e séries de ficção científica.

Mas, para desenvolvermos em plenitude um ecossistema de aprendizagem na era digital, precisamos avançar nesse aspecto. Se a tecnologia é um meio, uma ferramenta de conexão entre as pessoas, assim também deve ser no ambiente escolar. E existem muitas formas de se fazer isso. Desde uma simples busca de pesquisa em sites especializados até mesmo desenvolver atividades próprias em aplicativos escolares, alguns gratuitos. Além disso, inúmeros apps de realidade aumentada ou de visualização 3D contribuem para ampliar o conhecimento transmitido pelo professor. Quadros interativos e equipamentos de vídeo também estão incluídos.

Precisamos mudar nosso jeito de educar as crianças. Cada vez mais elas vêm de casa com habilidades e talentos potencializados pela relação que têm com a tecnologia. Mais que isso, precisamos mediar essa conexão com o universo digital, contribuindo para ajudar a discernir o que pode e o que não pode, o que é certo e o que é errado. O importante é não proibir, mas aprender a usar para fazê-lo da melhor maneira possível. Assim valorizamos o ecossistema de aprendizagem virtual.

Foto: Pixabay

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

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