Os brasileiros estão fumando menos, com o decorrer dos últimos anos. Mas, ainda comem muita carne gorda, tomam muito refrigerante e leite gorduroso, ficando acima peso em excesso, com crescente número dos que usam bebidas alcoólicas de forma abusiva.
Este pode ser um resumido perfil parcial dos condicionantes de risco de doenças crônicas não transmissíveis do brasileiro, hoje.
Estes são dados do VIGITEL, um estudo de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, desenvolvido pelo Ministério da Saúde.
Do hábito de fumar, este estudo demonstra que vem caindo (16,2% das respostas, para 14,8%), mas o consumo ainda é alto e predomina entre os homens, mais do que entre as mulheres (18,1% contra 12%). Eles também são mais fumantes passivos nos ambientes de trabalho, enquanto as mulheres o são em casa.
Na projeção de quais capitais dos estados brasileiros têm mais fumantes, nossa capital, Curitiba, ficou atrás só de Porto Alegre e na frente de São Paulo (20%, 23% e 19% das respostas, respectivamente). A capital onde os adultos menos fumam é Maceió (8% de resposta).
O interessante é que o número total de ex-fumantes é maior do que os que se declaram fumantes (21,7% a 14,8%) e os de alta carga tabágica (mais de 20 cigarros por dia) é relativamente baixa (4,3%).
Quando se avaliam fatores de risco e fatores de proteção à saúde através dos alimentos, o consumo de feijão por 5 ou mais dias na semana, um fator de proteção à saúde, teve maior número de respostas: 69,1%. Porém seguido de itens com fatores de risco como consumo de leite integral (com gorduras), 56,9%, consumo de carnes com excesso de gordura, 34,6%, e consumo regular de refrigerantes (5 vezes semana) 29,8%. Os fatores alimentares de proteção à saúde só voltam a aparecer no final da lista com consumo regular de frutas e hortaliças (5 ou mais porções semana) com 30,9% das respostas.
Consumo abusivo de bebida alcoólica predomina nos homens (em média 26%) e vinha crescendo entre as mulheres (chegou a 11%), tendo uma queda em 2011 (baixou para 9%).
O resultado é que, como esperado, há um crescente e forte percentual de pessoas com excesso de peso: 48,5% das respostas! Ou seja, isto dá uma projeção de que praticamente a metade dos brasileiros que residem em capitais brasileiras estão com excesso de peso, o que é um alto fator de risco para doenças crônico degenerativas.
Portanto, minha gente, vamos prestar atenção nos tais fatores de risco e cuidar da nossa saúde.
Foto: Pixabay
Gilberto Martin

Médico, mestre em Saúde Coletiva e especialização em Saúde Pública, fui secretário de saúde do Estado do Paraná, do município de Cambé e do município de Londrina. Também fui prefeito de Cambé e deputado estadual pela região. Militou no Movimento estudantil da década de 70 no Poeira e foi da primeira diretoria da UNE. Sempre trabalhei na saúde pública, atualmente como médico do ambulatório da Rede de Atenção à Saúde Integral do Idoso no CISMEPAR e na 17ª. Regional de Saúde. Defendo e luto pelo SUS. Dou aulas de Geriatria e de Gestão em Saúde na PUCPR, Londrina. Coordenador da ALUMNI – Associação de ex-alunos da UEL, gosto de correr nas ruas (pelo menos três vezes por semana), de fazer trilhas por campos e morros, de cinema e literatura. Sonho com um Brasil mais justo e menos desigual.

