Você é tímido?

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Por André Luiz Lima

Na Arte dos Encontros, vou encontrando caminhos. E foi justamente através dos encontros que comecei a tomar consciência do meu próprio percurso.

Posso dizer que sempre fui tímido.

Foi a arte que me abriu caminhos para o autoconhecimento, para aprender a ver e ouvir, perceber meu corpo, respirar e me fazer uma pergunta que me acompanha até hoje:

Que corpo é esse?

Fotos Pexels

Essas descobertas me ajudaram a me conhecer, a me respeitar e a encontrar outras maneiras de me expressar.

Hoje, talvez muita gente nem imagine que fui tímido e que, em algumas situações, ainda posso ser. 

A diferença é que, ao longo da minha trajetória, fui descobrindo ferramentas que me ajudam a lidar com isso.

E foi também desse caminho que nasceu o meu trabalho com o Poder da Expressão.

Você tem algo a dizer, mas, na hora de falar, prefere ficar em silêncio? Gostaria de se aproximar de alguém, mas não sabe como começar uma conversa? Tem ideias, desejos e projetos que acabam ficando guardados porque se expor parece difícil?

Você já se perguntou quantas coisas gostaria de ter feito, dito ou vivido, mas acabou adiando por não se sentir à vontade?

Se você se reconhece em alguma dessas situações, talvez seja hora de olhar para a sua expressão.

Ser tímido não é um defeito. Ser reservado também não. Não precisamos ser extrovertidos, falar alto ou chamar a atenção para ocupar nosso lugar no mundo. Cada pessoa tem seu jeito, seu tempo e sua maneira de se relacionar.

Mas existe uma diferença entre escolher o silêncio porque ele nos faz bem e permanecer em silêncio quando, por dentro, temos vontade de falar. Entre respeitar quem somos e deixar de viver alguma coisa que desejamos.

E se você pudesse se expressar com mais liberdade, sem precisar deixar de ser você?

Essa pergunta também está na origem do trabalho que desenvolvo.

Ao longo da minha vida, os encontros foram minha grande escola. As pessoas que conheci, as culturas que experimentei e as fronteiras que atravessei me ensinaram que existem muitas maneiras de olhar, sentir, pensar e viver. Aprendi que, para encontrar o outro, também precisamos estar disponíveis para nos encontrarmos.

Foi desse percurso, das minhas experiências como ator, diretor e comunicador e da investigação sobre o corpo e as relações humanas que nasceu o Poder da Expressão.

Um trabalho que parte da compreensão de que nossa expressão começa muito antes das palavras.

O corpo que chega a uma conversa já traz uma história. Às vezes, chega tenso, com a respiração curta, o olhar que desvia, a voz que hesita. Outras vezes, gostaria de avançar, mas alguma coisa parece segurá-lo.

Antes de tentarmos mudar a maneira de falar, podemos aprender a perceber como estamos presentes.

Como respiramos.

Como olhamos.

Como ouvimos.

Como ocupamos o espaço.

Como nos relacionamos com o outro e com aquilo que sentimos.

A expressão começa antes das palavras

Por isso, no meu trabalho, não se trata apenas de aprender a falar melhor ou de desenvolver técnicas de comunicação. Trata-se de ampliar a percepção de si, experimentar outras possibilidades e descobrir recursos que nos ajudem a estar mais presentes nas situações da vida.

O corpo, a respiração, o olhar, a escuta, a criatividade e o autoconhecimento fazem parte desse caminho. Não para que todos se expressem da mesma maneira, mas para que cada pessoa possa descobrir a sua própria maneira de se expressar.

Isso pode fazer diferença em uma reunião de trabalho, em uma apresentação, em uma conversa importante, no início de um relacionamento, na realização de um projeto ou naquele momento em que precisamos dizer o que pensamos e sentimos.

Às vezes, não precisamos de uma voz mais alta. Precisamos confiar um pouco mais naquilo que temos a dizer.

Outras vezes, precisamos experimentar, sair do lugar conhecido, perceber nossos automatismos e descobrir que podemos agir mesmo sem ter todas as garantias.

Expressão não é performance. É presença

E presença não significa ausência de medo. Significa poder reconhecer o que sentimos e, ainda assim, encontrar possibilidades de estar no mundo.

Talvez você continue sendo uma pessoa tímida. E tudo bem. A questão não é apagar essa característica, mas perceber se ela está impedindo você de viver algo que deseja.

Quantas conversas ainda podem acontecer?

Quantas ideias merecem ser compartilhadas?

Quantos encontros podem começar quando nos permitimos dar um primeiro passo?

Na Arte dos Encontros, acredito que cada pessoa tem uma mensagem para oferecer e outra para receber. Mas, para que esse encontro aconteça, precisamos estar disponíveis. E, muitas vezes, essa disponibilidade começa dentro de nós.

É esse caminho que proponho no Poder da Expressão, por meio de experiências e mentorias individuais: um espaço de investigação, prática e autoconhecimento para quem deseja ampliar sua expressão, sua comunicação e suas possibilidades de ação.

Não é preciso esperar perder a timidez, sentir-se completamente seguro ou encontrar as palavras perfeitas para começar.

Talvez seja suficiente reconhecer que existe alguma coisa em você querendo encontrar espaço.

E dar a ela uma oportunidade.

Afinal, o que você gostaria de viver se pudesse se expressar sem tanta timidez?

Pode ser que o próximo encontro comece justamente aí.

Viva a Vida, André.

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante, produtor cultural e criador de experiências.

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