Projetos. Sempre começando…  

Biblioteca-Zona-Sul-Toda-quinta-tem-Historia-Emerson-Dias-1

Por Ângela Diana

Desde que as Bibliotecas Setoriais de Londrina foram fechadas, tenho acordado com a estranha sensação que meu nariz estava diferente! Uma cor avermelhada, uma ardência na ponta do nariz e a sensação que eu estava novamente revivendo mais um “circo dos horrores”, comigo no centro como a palhaça, triste de  um público triste, piadas sem graça…E me lembrei de todos os projetos tão duramente conquistados e cortados pela metade por um poder público ineficiente, incompetente e narcísico! 

Horas de trabalho, sacríficios financeiros, sacríficios físicos de um corpo sobrecarregado de preocupações, de mochilas com tintas, de responsabilidade com muitas pessoas que também duramente iam às aulas, abraçavam os projetos e levavam para a frente da melhor forma possível! 

Uma coisa absurda acontece aqui, em Londrina, desde a época do projeto do União da Vitória detonado por uma gestão nova que só queria propaganda para si mesma, exposições minhas e de colegas que não puderam acontecer por causa de retirada de uma verba até ridícula, mas na época importantíssima, até agora. Um espaço que deveria estar aberto e ser transformado num grande centro cultural na Região Sul, com segurança, manutenção, as bibliotecárias com toda a ajuda possível para que os projetos continuassem e crescessem no espaço, já que a Zona Sul é hoje em dia uma das maiores regiões em expansão em Londrina, está FECHADA! 

E o projeto CROCHETANDO, em um hiato que pode durar o resto da vida!  

Mais um projeto da minha vida jogado no lixo! 

Mais um projeto, pensado e feito com sacríficio e absolutamente VOLUNTÁRIO, jogado no mais puro luxo do lixo londrinense! 

O mais puro suco de uma cidade incapaz de colocar, nos cargos certos, pessoas competentes para gerir a cultura londrinense!  

Uma gestão atrás da outra e os artistas sempre recomeçando! 

Aonde estão os nomes dos artistas que fizeram acontecer nessa cidade? 

Cadê a ”placa de bronze” de quem realmente lutou pra um museu acontecer? E o RESPEITO QUE A CLASSE MERECE?

Somos chacotas na boca de gente que nos chamam de “DIFÍCEIS”! 

Bundas confortávelmente sentadas em cadeiras históricas, ganhando mais de dez mil reais por mês, podem se dar ao luxo, durante ANOSSSSS, de não saber como funciona e quem faz a cultura dessa “cudade” acontecer! Sim, você não leu errado, é “cu” dade mesmo! Aqui virou curva de rio faz tempo! 

Bibliotecas fechadas, projetos jogados no lixo e artistas como palhaços. Em Londrina, quem faz cultura precisa sempre recomeçar
Proeto Crochetando – Fotos: Acervo pessoal

Já quem está no “centro do picadeiro” chora por baixo do nariz vermelho de palhaço, enquanto outros riem! Satisfeitos e com um futuro garantido! Afinal, não é de hoje que Londrina é trampolim político. 

E você, caro colega artista? Você não terá aposentadoria, só se fizer três jornadas de trabalho, carteira assinada por qualquer profissão que não for a sua, lutará com unhas e dentes para ser aprovado em editais que são incertos quanto as escolhas, carregarás mochilas e pastas pesadas, pedindo  pelo amor de Deus para alguém comprar o seu trabalho. Será olhado com desdém por colegas da profissão que se acham Deuses do Olimpo por terem um cargo de professor ou professora universitária (graças a Deus, não são todos assim! Alguns mantém, no espírito, que são fazedores de cultura e que representam uma classe toda!). Ah sim! E farás várias rifas na vida! Venderás seu trabalho mais barato que banana na feira e será considerado ou considerada pela sua família como uma grande ou um grande PERDEDOR! 

Farás das tripas coração, para manter sua obra, para que, na sua morte, fique perdida ou jogada no lixo, já que Londrina não tem o mínimo apreço por seus fazedores de cultura! 

O projeto do próximo

Continue, caro colega, a não APOIAR o trabalho ou projeto do teu colega próximo, ou por questões politicas ou por terem amigos e amigas em cargos públicos, como se isso garantisse que seu trabalho será apreciado e valorizado. Continue a não compartilhar os projetos de sua tribo, continue a se sentir o máximo por ser “melhor” que qualquer colega de trabalho seu e dê muita força para todos os incompetentes que se sentam em cargos de poder! No nosso caso, pessoas que há ANOSSSSSS não tem a mínima ideia do que é uma gestão cultural genuína!  

Ah! E não batalhe pela Biblioteca Central e todas as bibliotecas setoriaiss! Afinal, isso vai atingir você?Porque, enquanto atinge projetos especiais de colegas artistas, a pimenta não está no seu “cool”, não é mesmo? Enquanto atinge trabalhos de gente séria como nossas queridas bibliotecárias e bibliotecários, a pimenta ainda assim não atinge seu precioso “cool”! 

Para terminar por hoje, um lembrete e ditado da minha sábia e amada bisavó mineira: “A VIDA ASSIM COMO O MUNDO DÁ VOLTAS E CADA UMA MAIS TORTA QUE A OUTRA”. Seu dia, meu caro colega e cara colega artista chegará! 

INFELIZMENTE, ENQUNTO ISSO PIMENTA NO “COOL” DOS OUTROS SERÁ UM BELO REFRESCO! 

AMÉM. 

Foto principal: Emerson Dias/N.COM

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Instagram angela_dianarte

Leia todas as colunas de Vida de Artista

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse