Edição acontece de 15 a 20 de setembro e propõe encontros entre diferentes linguagens artísticas a partir da pergunta “O que acontece quando a palavra não cabe?”
O LONDRINE̅NSE com assessoria
A 3ª edição da Andorinhas Mostra de Artes chega a Londrina começa nesta terça(15) e vai até o dia 20 de setembro, reunindo teatro, dança, performance, cinema, artes visuais e ações formativas. A programação ocupa principalmente a Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (DAC/UEL) e também conta com atividades em outros espaços da universidade e da cidade.
Criada em 2024, a partir do desejo de promover um espaço de encontro, circulação e compartilhamento das artes cênicas, a Mostra Andorinhas chega à sua terceira edição ampliando os horizontes que marcaram sua origem. Neste ano, artistas de diferentes trajetórias e linguagens são convidados a compartilhar pesquisas, processos e trabalhos que atravessam fronteiras entre as artes.
A pergunta que atravessa esta edição é “O que acontece quando a palavra não cabe?”. A provocação surge também da própria tentativa de encontrar uma linha curatorial para a mostra. Em vez de estabelecer um conceito fechado, a organização escolhe assumir a indefinição como possibilidade: abrir espaço para aquilo que transborda uma linguagem, uma categoria ou mesmo uma palavra.
A imagem das andorinhas acompanha esse movimento. Em constante deslocamento, elas atravessam territórios sem se prender às fronteiras. Da mesma maneira, a terceira edição propõe encontros entre diferentes expressões artísticas, compreendendo a arte como espaço de passagem, contaminação e descoberta.
Programação em movimento
A programação começa nesta terça-feira, com a oficina do Coletivo Fresta, realizada das 19h às 22h, na DAC/UEL, dando início às atividades formativas da mostra.
Na quinta-feira(17), a programação segue com a oficina “Contraction/Release: Fundamentos da Dança Moderna de Martha Graham”, ministrada por Bianca Ribeiro, das 14h às 17h, na UEL. Atualmente mestranda no Programa de Pós-Graduação em Dança da UFBA, Bianca é ex-aluna do curso de Artes Cênicas da UEL e desenvolve pesquisas relacionadas à dança e às possibilidades de criação do corpo em cena. A oficina apresenta princípios da técnica desenvolvida pela dançarina e coreógrafa norte-americana Martha Graham, trabalhando especialmente as relações entre contração e extensão, centro do corpo, chão, quedas e movimentos.
A oficina terá 25 vagas pagantes, com investimento de R$25,00. Ainda serão destinadas gratuitamente 13 vagas afirmativas a pessoas negras, indígenas, trans e/ou em vulnerabilidade econômica, conforme carta de intenção enviada ao e-mail oficial da mostra: andorinhasmostradeartes@gmail.com, além dos dados básicos do participante como: nome, telefone e data de nascimento.
Ainda na quinta-feira (17), a partir das 19h, acontece a abertura oficial da mostra, na DAC/UEL, com uma fala dos artistas Rafa Tolújì e Everton Bonfim, ambos ex-alunos da Universidade Estadual de Londrina. Rafa apresentará aspectos de sua exposição artística, cuja pesquisa utiliza o desenho como narrativa gráfica para traduzir poéticas do cotidiano e estabelecer relações entre experiências pessoais e ancestralidade.
Na sequência, às 20h, Everton Bonfim (Cia. Teatro de Garagem) apresenta seu trabalho teatral solo, compartilhando com o público uma demonstração prática de sua pesquisa de conclusão de curso, com a cena “Como seria se fosse” (14 anos). Nessa montagem, o artista recria e transforma “a voz do poema” em conflitos existenciais de personagens distintos, na tentativa de contar e fazer o público refletir sobre as mazelas humanas. A pesquisa e criação apoia-se em sua pesquisa pessoal acadêmica sobre “poesia sonora e poéticas experimentais da voz”, registrada em seu trabalho dentro do curso de Artes Cênicas: “A VOZ DO POEMA: Na rua indo embora – uma montagem cênica”, apresentado em 2004.

A sexta-feira, 18 de setembro, começa com a oficina “Do Tarô à Cena – os arcanos como caminho ao movimento”, de Bella Amaral, das 9h às 12h, na UEL. Atriz, taróloga e mestra em Artes da Cena pela UNICAMP, Bella propõe uma prática baseada nos Arcanos Maiores do Tarô, investigando a materialização das imagens e sua transformação em partituras corporais.
A oficina terá 13 vagas, com investimento de R$50. Dessas, três serão destinadas gratuitamente a pessoas, negras, indígenas, trans e/ou em vulnerabilidade econômica, conforme carta de intenção enviada ao email oficial da mostra: andorinhasmostradeartes@gmail.com
À noite, às 20h, a DAC recebe o solo teatral “Feixe Anômalo” (18 anos), de Diego Leal. O espetáculo se constrói como um fluxo sensorial no qual corpo, palavra e espaço se mesclam para criar uma experiência sensível a partir do diálogo com as poesias de Roberto Piva. O espetáculo se constitui como um fluxo sensorial no qual corpo, palavra e espaço se mesclam para construir uma experiência sensível. A vibração sonora dos poemas atravessa o performer, que ora encarna personagens possíveis, ora se oferece como suporte para vozes dissidentes que emergem entre delírio, desejo e lucidez.As fronteiras entre realidade e fabulação se tornam porosas, refletindo o próprio gesto piviano de afirmar a liberdade como insurgência estética e existencial.
Após a apresentação, a programação continua com um after no Bar Padilha, a partir das 22h, criando um espaço informal de encontro entre artistas, público e participantes da mostra.
Dança, teatro e cinema se encontram no sábado
No sábado, 19 de setembro, a programação formativa continua pela manhã, das 9h às 12h, na DAC/UEL, com a oficina “Introdução à Dança em Ambientes Híbridos”, de Bianca Ribeiro.
A atividade investiga o que acontece com a performance quando o corpo do artista ocupa simultaneamente o espaço físico e o espaço da imagem. A oficina trabalha com ferramentas acessíveis, como celulares, aplicativos gratuitos e filtros de realidade aumentada, para experimentar as relações entre o virtual e o físico na composição da cena.
A oficina terá 15 vagas, com investimento de R$25, sendo 08 vagas afirmativas gratuitas destinadas a pessoas negras, indígenas, trans e/ou em vulnerabilidade econômica, tendo o processo de inscrição semelhante às outras oficinas: para as pessoas pagantes é necessário preencher o formulário que está no link da bio da nossa mostra (@andorinhas_mostra) e os participantes que queiram solicitar uma bolsa integral devem enviar uma carta de intenção ao nosso e mail, já informado acima no texto.
Às 18h, o grupo As Caetanas apresenta o espetáculo teatral “Mundus Eurídice”, com classificação livre. Na obra, duas cientistas mergulham pelos cosmos em busca de sedimentos, minerais e rastros concretos de uma memória de amor. Ao investigarem a história de Orfeu e Eurídice, diretamente do mito grego, as cientistas-nadadoras passam a perceber a materialidade das memórias e dos afetos.
Às 19h, a programação segue com a exibição do curta-metragem “Odù Boamorte”, seguida de um bate-papo com Nanjilè, promovendo um momento de conversa e reflexão a partir da obra apresentada. O curta-metragem mergulha no mistério da vida e da ancestralidade afro-brasileira, sob a regência de Nanã, a obra apresenta a morte não como fim mas como um caminho (Odù) de recomeço, como um ritual de passagem decolonial.

Encerrando a programação do sábado, às 20h, Bella Amaral apresenta o solo “Mais uma vez, seu aniversário” . Esta é uma peça onde o espectador é convidado a participar de uma festa em que a própria aniversariante não sabe o que se comemora: ela se esquece. Baseada na observação de pessoas diagnosticadas com a Demência de Alzheimer, em seu avô materno e no texto dramático “Cadeira de Balanço” de Samuel Beckett, “Mais uma vez…” nasce em 2019, quando Bella Amaral, atriz e então mestranda em Artes da Cena pela UNICAMP, criou como o fio condutor da pesquisa, o esquecimento de narrativas reais e imaginárias do personagem Vô.
No domingo, 20 de setembro, último dia da mostra, Diego Leal conduz uma oficina das 14h às 17h, no mezanino da DAC/UEL, ampliando as ações formativas do evento. Com a oficina “Poesia no Corpo”, Diego propõe a criação a partir da poesia, como transformar a palavra poética em ação cênica? A oficina propõe uma experiência prática de criação a partir da experimentação corporal com versos de diferentes autores. Neste exercício, somos convidados a investigar a palavra poética como impulso para a cena. A proposta se constitui em descobrir como ritmos, imagens, sonoridades, silêncios e afetos podem reverberar no corpo e se transformar em ações, imagens e pequenas composições performativas.
A oficina oferta 24 vagas no total. Dessas, 20 vagas serão destinadas a pessoas pagantes, com um investimento de R$50,00 e 4 vagas serão para vagas afirmativas para pessoas negras, indígenas, trans e/ou com vulnerabilidade econômica. O processo de inscrição permanece o mesmo que o das outras oficinas da mostra.
Às 20h, a programação chega ao fim com a apresentação do espetáculo teatral “BR Felicidade” (12 anos), do Grupo Kaos, na DAC/UEL. BR Felicidade é uma viagem poética pelo território brasileiro onde se cruzam sonhos, desigualdades e afetos. A dramaturgia é construída com base em histórias reais de pessoas em deslocamento, que compartilham suas tentativas de alcançar uma vida melhor. A peça transita entre depoimentos, teatralidades populares e referências à cultura de estrada, compondo um retrato fragmentado de um país em movimento. A busca pela felicidade — prometida por discursos oficiais, propagandas e mitos coletivos — revela-se um caminho sinuoso, feito de encontros, frustrações e resistências. O espetáculo é um convite à escuta e ao olhar sensível sobre o outro.
Formação e acesso à arte
Além da programação de espetáculos e apresentações, a terceira edição da Mostra Andorinhas reforça a importância das ações formativas como espaço de troca, experimentação e compartilhamento de saberes. As oficinas contemplam diferentes perspectivas sobre o corpo, a dança, a criação cênica e as relações entre tecnologias e performance.
A mostra também mantém o compromisso com a democratização do acesso à produção artística. Os ingressos para os espetáculos são gratuitos, bastando retirar com uma hora de antecedência na bilheteria da DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205), assim buscando garantir que o público possa acompanhar a programação sem que o valor seja uma barreira de acesso.
Nesta edição o Coletivo de Residentes da DAC (Cia NuA, Coletivo Fresta, Nara Motta e Experimento Abhora) solicitam que o público leve 1 Kg de alimento não perecível para as apresentações. Toda arrecadação desses alimentos será destinada ao Conexões Londrina, coletivo que fortalece as famílias das periferias da cidade com doações de cestas de alimento. A doação é voluntária e não é obrigatória para participar das apresentações.
Cada ingresso adquirido também dá direito a um número para participar do sorteio dos livros: O Feminismo já era: Confissões de uma mula, de Mikaelah Drullard e Dor e Silêncio: Performance e Teatro sobre o Holocausto Nazista, de Aguinaldo Moreira de Souza. Na mesma noite também serão sorteadas ao público, camisetas personalizadas da Mostra. Os sorteios serão realizados após a apresentação do último dia (domingo 20/09).
Ao chegar à sua terceira edição, a Andorinhas reafirma seu desejo de permanecer em movimento. Se antes seu território estava mais próximo das artes cênicas, agora a mostra se permite atravessar outros campos, encontrando novas formas de criação e de encontro com o público. Porque talvez uma mostra não precise de uma definição para existir. Talvez precise apenas de espaço para voar.
SERVIÇO:
3ª Andorinhas Mostra de Artes
E-mail: andorinhasmostradeartes@gmail.com
Link de inscrição nas oficinas: https://linktr.ee/andorinhasmostradeartes
Data: 15 a 20 de setembro de 2026
Local principal: Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina – DAC/UEL
Outros espaços: UEL e Bar Padilha
Linguagens: teatro, dança, performance, cinema, artes visuais e formação
Ingressos dos espetáculos: gratuitos, com sugestão de doação de 1kg de alimento não perecível.
Oficinas: valores e vagas conforme cada atividade
Sorteio: cada ingresso dos espetáculos dá direito a um número para concorrer a livros e camisetas.
15/09 – terça-feira
19h às 22h — Oficina “Histórias que Encantam” – Coletivo Fresta
Local: DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205)
17/09 – quinta-feira
14h às 17h — Oficina “Contraction/Release: Fundamentos da Dança Moderna de Martha Graham” — Bianca Ribeiro
Local: UEL – CECA – Laboratório 2 de Artes Cênicas
19h às 19h45 — Fala de abertura — Rafa Tolújì e Everton Bonfim
Local: DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205)
20h30 às 21h — Apresentação de Everton Bonfim
Local: DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205)
18/09 – sexta-feira
9h às 12h — Oficina “Introdução à Dança em Ambientes Híbridos” — Bianca Ribeiro
Local: DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205)
14h às 17h — Oficina “Do Tarô à Cena – os arcanos como caminho ao movimento” — Bella Amaral. Local: UEL – CECA – Laboratório 2 de Artes Cênicas
19h30 — “Feixe Anômalo” — Diego Leal
Local: DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205)
22h — After da Mostra
Bar Padilha. Local: R. Santa Catarina, 310
19/09 – sábado
18h — “Mundus Eurídice” — As Caetanas Cia de Teatro
19h — Exibição de curtas-metragens + bate-papo com Nanjiè
20h — “Mais uma vez, seu aniversário” — Bella Amaral
Local: DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205)
20/09 – domingo
14h às 17h — Oficina “Poesia no Corpo” – Diego Leal
20h — “BR Felicidade” — Grupo Teatro Kaos
Local: DAC (Av. Celso Garcia Cid, 205)
Foto principal: Espetáculo BR Felicidade/Divulgação

