Por Cláudio Chiusoli
Nos últimos dias, estão circulando notícias sobre o relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial sobre o Brasil. Decidi aprofundar a pesquisa para apresentar de forma mais clara a real condição macroeconômica do país.
Visão geral sobre a divergência do crescimento global
O relatório do FMI cita que, entre 2010 e 2024, enquanto a economia global avançava rapidamente, o Brasil passou por um declínio marcado pela falta de crescimento. Essa estagnação não foi favorável acabando por ser um retrocesso comparado aos demais países. A paridade do poder de compra (PPC) e a influência geopolítica do país afetou os indicadores. Dos 123 países avaliados, 111 superaram o Brasil ao longo desses 14 anos, ou seja, 90% das economias mundiais tiveram crescimento superior ao do Brasil, mostrando uma redução significativa em sua posição internacional e riqueza individual.
Diferença de renda per capita entre países da América do Sul
A renda per capita é um indicador importante da saúde econômica e da mobilidade social de um país. O Brasil atualmente tem uma renda per capita em dólares de US$ 10.280, contra a da Guiana (US$ 29.884), Chile (US$ 16.710), Uruguai (US$ 23.907) e Argentina (US$ 13.858) mostrando um colapso no valor do trabalho e da produção brasileira. Comparando esse indicador com os países da América do Sul, mostra que a disparidade crescente é resultado de problemas fiscais internos que priorizaram um Estado “inchado” em vez da geração de riqueza.
Vulnerabilidades estruturais internas, segundo o FMI
Segundo o relatório do FMI, o Estado brasileiro enfrenta altos níveis de dívida e a restrição orçamentária que impedem o governo de aplicar políticas econômicas ou investir em infraestrutura básica. Com obrigações consumindo o orçamento, o Estado não pode investir no futuro.
Há sinais de alerta fiscal, como a dívida pública que deve atingir 100% do PIB neste ano, o que provoca fuga de capitais e elevam os custos. Além disso, há um déficit projetado de R$ 300 bilhões na Previdência Social para 2025.
Endividamento das famílias
As consequências da má gestão macroeconômica, segundo o FMI, refletem o endividamento das famílias brasileiras. O baixo crescimento gerou dependência do crédito e juros altos, fazendo com que mais de 80 milhões de pessoas estejam com o nome negativado. Para alcançar o nível dos países como a Guiana, Chile, Argentina e Uruguai, em termos de renda per capita, seria necessário um crescimento substancial durante vários anos.
Torna-se evidente que o Brasil precisa de mudanças radicais para não ficar para trás.
Foto principal: Imagem gerada por IA/ChatGpt
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e Instagram.
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