Por Marcelo Minka
Não gosto de musicais, mas verdade seja dita; o novo capítulo da saga chega aos cinemas com força, e é difícil não se deixar levar pelo espetáculo de Wicked 2, que estreia no Brasil coroando uma história que já havia conquistado o público. Dirigido por Jon M. Chu (Podres de Ricos, 2018) e protagonizado por Cynthia Erivo (Harriet, 2019) e Ariana Grande (Wicked, 2024), o filme mergulha no reino de Oz, onde amizade, poder e identidade se entrelaçam de modo mais intenso.
A trama começa em um ponto crítico: Elphaba está deslegitimada e isolada como a Bruxa Má do Oeste, Glinda reina como símbolo de bondade e fama, e Oz está à beira do colapso quando a população se volta contra a própria ordem que antes sustentava. Em meio à grandiosidade visual e ao esmero musical, o filme aborda manipulação política, alienação social e decisões éticas inevitáveis, temas incomuns em um musical blockbuster, mas que aqui aparecem de forma clara.
As performances são o motor emocional de Wicked 2, Erivo e Grande entregam carisma e densidade, sustentando a história mesmo quando ela flerta com o excesso de brilho. Os cenários impressionam, os figurinos são luxuosos e a produção mira alto ao repensar o que significa ser herói ou vilão dentro de um sistema corrompido. O longa também chega ao Brasil carregando expectativas enormes, após quebrar recordes de venda antecipada de ingressos.
Wicked 2: espetáculo e reflexão

Para o público que busca uma narrativa sólida e estética afiada, Wicked 2 oferece duas entregas importantes: espetáculo e reflexão. É entretenimento grandioso, mas com perguntas incômodas no subtexto, o que acontece quando a bondade vira performance, ou quando a verdade é sufocada pelo próprio sistema?
Se há algo que pode incomodar, é a contenção emocional em alguns momentos, talvez para agradar o público mais amplo, falta uma ousadia maior em certos pontos. Ainda assim, o filme se sustenta pela energia, pela música e pela ambição temática.
Em resumo, vá pelo espetáculo, fique pelo impacto. Wicked 2 diverte, emociona e deixa suas ideias reverberarem muito depois dos créditos.
Marcelo Minka

Mestre em Antropologia Visual (UEL), dá forma à linguagem estética da Angatu Joias, unindo arte, forma e símbolo em criações que revelam a poética entre design e significado. Artista visual e pesquisador, transita entre o pensamento e o fazer, inspirado pelas viagens, pelos sabores, pela natureza e pelas culturas que encontra pelo Brasil e pelo mundo. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka
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