Por Ana Paula Barcellos
Aí que rolou de Semana de Moda Bridal de Nova York para 2026, onde são apresentadas as tendências fashion mais forte para noivas. E se você pensa que esse é só um eterno loop de véus infinitos, tomara que caia e silhuetas sereia, não é bem assim. Eu achei essa edição especialmente animadora porque veio numa pegada bem maximalista, e com mais abertura e inspiração para novidades.


Começa a sair de cena (finalmente) o minimalismo clean que dominou os últimos anos. No evento com as tendências para noivas, teve muitos ornamentos, drapeados criativos e materiais diferentes. Pense em muitos cristais, tecidos fluídos, e silhuetas que misturam o romântico com o ousado. Marcas como Floure, Claire Pettibone, Monique Lhuillier, Alexandra Grecco e MarMar Halim apresentaram desfiles e showrooms que surpreenderam positivamente. Surpreendentemente, o calendário não foi daqueles fraquinhos.


Para quem não acompanha esse universo, pode parecer que são só “pequenas novidades” nos tradicionais vestidos de noivas – um brilho aqui, uns laços maiores ali. Mas os novos tecidos e texturas são uma revolução, silenciosa, mas bastante genial. Estamos falando de sintéticos cortados a laser que dão um ar futurista sem perder o romantismo, tule de malha organza que flui como água, e aplicações florais em rendas que cobrem tudo com um conforto ainda luxuoso. Marcas como Monique Lhuillier, Kyha e Septembre estão explorando peças com penas, coberturas em renda e construções em modelagens chiques e que também oferecem conforto, com boas opções para casar num outono mais frio e no inverno. Legal pensar que casaco ou capa pode contornar o friozinho com classe.



Agora, o que me pegou de jeito e me inspirou a escrever sobre, foram os looks com calça para noiva. Os chamados ternos femininos já estão por aí há uns anos, aparecem nas passarelas noivas – mas numa vibe “mais do mesmo”. Sem contar que nunca emplacaram realmente aqui, na vida real. Já falei disso há uns anos nessa coluna, e continuo achando um atraso cósmico que isso ainda seja raridade. Por quê raios as noivas insistem em se amarrar a vestidos rodados?
Mais inovação e menos véu de noiva
Imagina: a noiva um terninho pantsuit de alfaiataria impecável, com drapeados assimétricos e cristais, pra cerimônia. Aí, na festa, troca pro segundo figurino – uma calça wide-leg fluida, com top cropped de renda ou blazer oversized, pra dançar sem se preocupar com bainhas ou saltos. Apresentaram uns ótimos na NY Bridal Week, com silhuetas para todas as ocasiões, de coquetéis pré-casamento a ensaios fotográficos. Marcas ready-to-wear do universo bridal, como as que expandiram catálogos nessa temporada, estão captando a demanda e oferecendo vestidos midi que dançam a noite toda, minis ousados e, sim, calças!
Além disso, pipocaram texturas nada comuns para vestidos de noiva. Tecidos que se decompõem em camadas, como se o vestido fosse uma escultura viva, tule laser-cut, organza liquefeita que molda o corpo sem apertar. É menos básico, com mais tecnologia e conforto.
E já deu de vestido para usar uma vez só, né? Muito mais interessante investir em peças versáteis que transcendam o “dia D”, que permaneçam e que sejam usáveis depois. Imagine um armário-cápsula com calças, casacos e texturas diferentes para usar em compromissos sociais infinitos. É isso: por mais calças, mais conforto e menos véus de noiva!
Foto principal: Freepik
Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram @experienciasdecabide e @yopaulab
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