Por Telma Elorza
“Conheci um cara e estava muito interessada nele, que é bonito e tem um bom papo. Mas na primeira vez que saiamos, ele quis dividir a conta, que nem foi muito alta, porque fomos em um boteco pé sujo (apesar de ter me produzida toda). Agora não sei o que pensar. Será que invisto nessa relação, com o risco dele continuar nessa mesquinharia?”
Bom, amiga, vamos colocar as coisas em perspectiva: você conheceu um cara e estava interessada nele, mas se decepcionou na primeira saída porque ele ousou sugerir dividir a conta num lugar simples demais para sua produção. Ok, vamos lá.
Vejo muitas mulheres reclamando dos homens quererem dividir a conta do date. Mas, na minha opinião, a atitude de dividir a conta não é o problema. Em tempos modernos, é perfeitamente aceitável e até admirável que ambos contribuam igualmente financeiramente, seja numa conta de bar ou na vida em conjunto. O que preocupa aqui não é o ato de dividir a conta em si, mas sim suas expectativas e o que isso diz também sobre a mentalidade dele.
Você diz que se produziu toda e, portanto, teve investimento considerável nisso (unhas, cabelos, maquiagem, roupas bonitas e, quem sabe, depilação, tudo isso custa caro). Na sua cabeça, merecia estar em um local legal e ter suas despesas pagas. E se sentiu frustrada quando foram parar num boteco pé sujo. Lembro de uma amiga, que saiu com um rapaz que conheceu num evento e ele a levou exatamente num lugar desses, para comer pastel e tomar cerveja. A reação dela? “Gastei meu perfume francês à toa”.
Mas vamos olhar a situação de frente, sem romantização barata. Achar que um homem pagar uma conta termômetro de caráter, interesse ou viabilidade de relacionamento é uma ideia ultrapassada, preguiçosa e que não se sustenta na realidade. Você está julgando a “mesquinharia” dele sem nem saber se ele está com as contas em dia ou se o dinheiro que ele ia gastar com você estava reservado para pagar a comida do fim do mês. O cara pode estar duríssimo e ficou com vergonha de falar.
Mas, entenda, não estou defendendo ele, não. Porque ele também foi um erro ambulante com pernas. Se ele estava com dinheiro contado (e, sejamos sinceras, parece que está), teria sido muito mais digno virar pra você e dizer com clareza: “Tô meio ferrado de grana, mas queria vê-la mesmo assim. Topa algo mais simples?”. Honestidade é sexy. Transparência constrói confiança. Mas a covardia de muitos homens em admitir que não estão nadando em dinheiro cria essas situações ridículas em que o cara tenta manter uma pose, convida pra sair e, no final, finge que dividir a conta é “empoderamento feminino”, quando na real é medo de parecer pobre.
E você, por outro lado, está com a régua emocional regulada pelo TikTok e pelas séries da Netflix. Está achando que todo cara que vale a pena vai abrir a carteira no primeiro encontro como se estivesse assinando um contrato de namoro. Spoiler: não vai. Muitos homens não querem (na cabeça de alguns, dividir a conta virou um filtro pra saber se a mulher está ali pela companhia ou pela vantagem financeira) e muitos não podem. E sabe o que mais? Isso não define se ele vai respeitá-la, amá-la ou lhe ferrar no futuro. Você quer um parceiro ou um patrocinador?
Se esse pequeno episódio já a deixou em dúvida se vale a pena investir nele, eu tenho uma dica: não vale. Não porque ele é um pão-duro. Mas porque vocês claramente estão em mundos diferentes. Você espera demonstrações de interesse que passem por gestos materiais. Ele, aparentemente, está mais preocupado em não sair do vermelho no banco. Não há sintonia. Não tem alinhamento de expectativas. Só tem frustração e julgamento precoce.
E essas coisas podem se amplificar ao longo do tempo.
Portanto, aqui vai o conselho que você pediu: confie nos seus instintos. Se essa situação a incomodou ao ponto de duvidar das intenções dele, não ignore isso. Não se trata apenas de quem paga a conta, mas do tipo de pessoa que você quer ao seu lado. Se você valoriza alguém que demonstra generosidade, consideração e uma compreensão básica de etiqueta social, talvez seja melhor reconsiderar se esse cara se encaixa nesse perfil.
Relacionamentos são um investimento emocional e, às vezes, financeiro. Não é sobre encontrar alguém para bancar suas saídas, mas sobre encontrar alguém com quem você possa construir uma parceria baseada em reciprocidade e respeito mútuo. Se você já está questionando isso no início, é hora de avaliar se esse é o caminho que você realmente quer seguir.
E para os homens que estiverem lendo esta coluna, vou dar uma dica valiosa: seja homem de dizer sua real condição financeira. A maioria das mulheres não espera que banquem jantares caros se não podem pagar. Mas tentem evitar deixar a mulher se sentindo meio idiota dividindo uma conta de boteco sem nem ter sido avisada. Faltou grana? Fale. Faltou atitude? Aí sim, temos um problema.
Mas julgar alguém por um ato isolado, sem diálogo, é receita certa pro fracasso. E, sinceramente, se é disso que vocês estão discutindo no primeiro encontro… imagina daqui a seis meses.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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Uma resposta
Sobre o local “inadequado” para o encontro, eu fiquei curioso… umas das primeiras coisas que conversava no tempo de paquera, antes de um convite pra sair, era saber os gostos da pessoa, onde gostava de ir, o que gostava de fazer… se fosse uma mulher de barzinho mais chique, eu não ia levar ela no Pé na Cova ou Bar do J por exemplo rsrs mas dependendo era lá que íamos… acho que faltou conversa.
Sou do lado que pensa assim: quem convidou, precisa estar preparado para bancar.