Missão Impossível: O Acerto Final – um delicioso blockbuster

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Por Marcelo Minka

Com este friozinho gostoso, nada melhor que um cineminha, e melhor ainda se for acompanhado. Neste fim de semana temos a pré-estreia de Missão Impossível: O Acerto Final. E na tela podemos testemunhar o impensável, podemos ver os sinais de velhice chegando de voadora no rosto cansado de mr. Cruise. Mas vamos ao filme.

Há algo de profundamente cinematográfico no modo como Ethan Hunt corre. Não apenas pela coreografia milimetricamente desenhada de suas perseguições — que já se tornaram uma assinatura da franquia Missão Impossível, mas pelo que essa corrida simboliza: a luta contra o tempo, contra sistemas opressivos, contra a própria desumanização da ação. Em Missão Impossível – O Acerto Final, oitavo capítulo da saga e culminância de um legado que começou em 1996 sob a direção elegante de Brian De Palma, essa corrida ganha contornos elegíacos. Não é apenas mais uma missão; é a missão. E talvez a última.

Missão Impossível: Ameaça Global traz um Tom Cruise envelhecido, mas ainda com gás para queimar, com cenas de ação que são quase um balé e precisão cirúrgica
Fotos: Divulgação

Tom Cruise, que ao longo das décadas moldou Ethan Hunt como um avatar incansável da excelência física e da obstinação moral, retorna agora sob a batuta de Christopher McQuarrie, diretor que refinou o tom da franquia desde Nação Secreta (2015). Em O Acerto Final, a narrativa se expande e se aprofunda: há aqui uma maturidade rara em blockbusters contemporâneos, onde a grandiosidade do espetáculo convive com uma meditação sincera sobre o peso da escolha e o desgaste da lealdade.

Missão Impossível contra ameaça global, de novo

A história se ancora numa ameaça global, como de praxe — desta vez, um artefato tecnológico com potencial para reconfigurar o poder mundial. Mas o que importa não é o “o quê”, e sim o “como”. McQuarrie orquestra cenas de ação com precisão cirúrgica, mas também com uma consciência estética que beira o balé. Cada explosão, cada salto, cada troca de olhares entre Hunt e sua equipe é conduzida com a clareza de um maestro que compreende o silêncio tanto quanto compreende o som.

Hayley Atwell surge como uma adição notável, oferecendo a Hunt não apenas uma parceira de ação, mas um espelho moral — um recurso já usado antes na franquia, mas aqui tratado com mais sofisticação. Simon Pegg e Ving Rhames retornam com familiaridade calorosa, e o antagonista vivido por Esai Morales empresta uma gravidade quase mitológica ao embate.

O filme brilha, sobretudo, ao olhar para trás. Ao longo de suas quase três décadas, Missão Impossível reinventou a linguagem da ação no cinema comercial. Do voyeurismo estilizado de De Palma, passando pela exuberância de John Woo, pela contenção tensa de J.J. Abrams e pelo virtuosismo técnico de Brad Bird, até encontrar em McQuarrie uma síntese harmônica entre emoção, adrenalina e filosofia.

Em O Acerto Final, essa herança é sentida em cada quadro. É como se o filme se curvasse, com respeito, diante do seu próprio passado, enquanto aponta o olhar para um futuro incerto — mas não menos audacioso.

Uma das cenas mais impactantes deste novo capítulo ocorre em uma estação ferroviária subterrânea de Praga, transformada em um verdadeiro labirinto de tensão. Hunt, perseguido por múltiplas forças com interesses divergentes, precisa atravessar os trilhos em alta velocidade enquanto o ambiente se transforma num teatro de ilusões ópticas, fumaça e sabotagens tecnológicas.

A sequência combina suspense hitchcockiano com ação visceral, e culmina em um duelo físico brutal nos vagões em movimento — um espetáculo coreografado como se fosse uma dança de precisão entre aço, carne e propósito. É, talvez, a melhor síntese do que o cinema de ação pode oferecer quando dirigido com inteligência e paixão.

Missão Impossível – O Acerto Final não é apenas uma conclusão. É uma elegia à persistência, à amizade, à integridade em meio ao caos. É, paradoxalmente, um fim e um recomeço. Se for de fato a despedida de Ethan Hunt, que bela despedida será. Se não for, que sorte a nossa continuar correndo com ele. Para quem gosta da franquia e para quem ama filmes de ação.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry

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