O Brutalista: uma imersão na alma humana

brutalista2_widelg

Por Marcelo Minka

O inferno é aqui e agora, todos nós morrendo torrados enquanto trabalhamos. O jeito é pegar um cineminha no fim de semana. Vamos ao principal lançamento da semana.

Em “O Brutalista”, somos convidados a uma jornada épica de 3 horas e meia. Sim, não é fácil. Dirigido por Brady Corbet (Vox Lux – 2018), a trama nos entrega um filme ambicioso que mergulha nas complexidades da alma humana, explorando temas como trauma, identidade, ambição e a busca por significado em um mundo em constante transformação.

A narrativa acompanha László Toth, um arquiteto húngaro-judeu que, após sobreviver aos horrores da Segunda Guerra Mundial, busca reconstruir sua vida e legado nos Estados Unidos. Sua arquitetura brutalista, com suas linhas austeras e monumentais, serve como um reflexo de sua própria existência: marcada por perdas, desafios e a necessidade de deixar uma marca duradoura no mundo.

O ator Adrien Brody (O Pianista – 2002) entrega uma atuação visceral e comovente, capturando a intensidade e a fragilidade de László. O personagem é um homem atormentado por fantasmas do passado, que encontra na construção de edifícios a oportunidade de expressar sua visão de mundo e lidar com seus demônios internos.

A fotografia do filme é um espetáculo à parte, com planos que capturam a beleza crua da arquitetura brutalista e a atmosfera sombria da Nova York do pós-guerra. A trilha sonora original, composta por Danny Elfman, intensifica as emoções dos personagens e nos transporta para o universo de László.
Nos bastidores, o filme contou com uma equipe de produção talentosa, que recriou com fidelidade a época e o universo da arquitetura brutalista. A pesquisa para a construção dos cenários e figurinos foi minuciosa, garantindo a imersão do público na história.

Com 3h30 de duração, O Butalista não é um filme fácil de assistir, mas é uma experiência interessante para aqueles que buscam mais que entretenimento
Fotos: Divulgação

O Brutalista divide opiniões

A recepção de “O Brutalista” tem sido mista, com críticos elogiando a direção de Corbet, a atuação de Brody e a qualidade técnica do filme, enquanto outros apontam a longa duração e a narrativa complexa como obstáculos. No entanto, o filme tem gerado debates interessantes sobre a natureza da arte, a história e a condição humana.

“O Brutalista” é um filme que exige do público entrega e reflexão. Uma obra que, assim como a arquitetura brutalista, não busca a beleza fácil, mas sim a verdade e a essência das coisas. Um filme que, sem dúvida, irá ressoar com aqueles que buscam no cinema mais do que entretenimento, mas sim uma experiência profunda e transformadora.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry

Leia todas as colunas de Cinema

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE

Compartilhe:

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse