Por professor Renato Munhoz
Muitas vezes nos pegamos resolvendo a seguinte questão: qual diferença nossa pequena ação pode fazer em relação ao meio ambiente?
Gosto de desafios. E acredito que a resposta para tal questionamento está muito mais presente do que imaginamos. Uma das linhas de sustentação para esta resposta talvez esteja numa teoria social tão utilizada nos ambientes empresariais e de planejamento.
A dimensão do micro, ação que interfere diretamente na dimensão do macro. Uma está interligada a outra. Havendo a necessidade de perceber as duas em consonância. Me arrisco a utilização de dois conceitos oportunos: A micro sustentabilidade e a macro sustentabilidade.
A ideia do micro sustentabilidade nasce das ações feitas por cada um de nós no cotidiano de nossas vidas. A economia de água, o uso racional da energia elétrica, a reciclagem correta de lixo e tantas outras ações que podemos fazer todos os dias para contribuirmos diretamente na construção de uma consciência mais cuidadosa com o meio ambiente.
A macro sustentabilidade seriam as ações que dependem essencialmente de atores que não estão em espaços estratégicos. As empresas tratando resíduos, produzindo educação ambiental, as prefeituras e os governos em geral, realizando políticas públicas e ações que fortaleçam, inclusive, a micro sustentabilidade, como a implantação da coleta seletiva nos municípios. Só alcançaremos de verdade um efeito realmente interessante quando estas duas dimensões estiverem trabalhando juntas e na mesma direção.
De verdade, não adianta fazermos esforços apenas em uma das dimensões. Porque a sensação de que o que fazemos seria em vão é inevitável. Mas é primordial não deixar de fazer, porque muitas ações que pareciam tão pequenas e improváveis mexeram com governos e fizeram surgir inclusive leis de proteção. Como é o caso das eco-barreiras iniciadas no Rio Atuba, em Curitiba, por um empreendedor social corajoso que parecia estar fazendo tão pouco. Mas as toneladas de resíduos que sua ação conseguiu tirar do rio provocaram uma enorme erupção social em torno da proteção dos rios.
Em Londrina, uma lei que obriga as empresas concessionarias a plantar uma muda de árvore por cada carro vendido, quase foi derrubada na Câmara Municipal. Esta é uma ação de macro sustentabilidade e que só continuou vigorando por causa das ações de micro sustentabilidade, abaixo assinados, diversas manifestações vindas de baixo para cima, produziram o efeito esperado e o projeto foi retirado de pauta.
O micro provocando o macro e vice-versa, consequentemente teremos uma sociedade onde a sustentabilidade não seja apenas pauta de alguns e seja tratada com o respeito devido e alcance a vida de toda população de modo pleno.

Professor Renato Munhoz
Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade.
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