Por Ângela Diana
Escrevo essa coluna numa tarde de chuvona! A última parte da saga viagem será na próxima semana! Muitas coisas boas vieram daí e é justo escrever com calma. Hoje, quero descrever o processo todo bacana que desencadeou com a abertura do baú, por assim dizer, da viagem.
Essa semana, resolvi tirar todas as minha obras e colocá-las no sol, para energizar. Mudei o lugar de anos, revi trabalhos esquecidos e até tive a sensação de voltar para MEU lugar. Não importa o quão feliz você possa estar ou mesmo triste, mas é importante ter um lugar só seu, interno, que você possa visitar quando precisar.
Fazia tempo que, por imposições do dia a dia, dos problemas do dia a dia, eu não conseguia mais voltar pro meu “lugar” no alto do morro, vendo o mar bater lá embaixo, ou me sentindo passeando nas estradas numa floresta , daquelas bem medievais, com as estrelas como companhia. E por que não voltarmos no tempo, já que somos imortais? Escolhermos o melhor lugar, quando o mundo parece desabar? Faz bem!


Essa história de passarmos de uma certa idade e tudo acabar, é uma grande bobagem! O que a arte nos ensina é nos reinventarmos! Ora, que imposição vamos ter agora, depois dos 50? Sermos jovens? Inteligentes, as super profissionais e mães perfeitas? As artistas que PRECISAM provar que são as fodonas?


Será que arte não está aí pra ensinar a sermos apenas o melhor de nós mesmas e, finalmente, pendurar os casacos das tais perfeições e assumirmos que somos artistas mulheres que podem se reinventar todos os dias para sermos felizes?

Fica a reflexão essa semana e uma palhinha de obras mais antiguinhas e não menos importantes!
Até semana que vem com a última parte de NY! A cidade dos anjos caminhantes!

Ângela Diana
Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Foto: Acervo pessoal
