Por Telma Elorza
“Li por acaso sua coluna no jornal e não consigo acreditar que tem gente que faz esses tipos de coisas em relacionamentos. E você ainda escreve que é normal! Como você pode considerar normal uma mulher trair o marido com outros ou essas coisas nojentas de homens usarem peças íntimas femininas, entre outros absurdos? Você não tem Deus em sua vida. Só isso explica você publicar essas nojeiras. Você é doente, amoral e indecente. Vai queimar no fogo do inferno!”
Bom, esse foi um trechinho de um e-mail anônimo que recebi recentemente. O leitor (ou a leitora, sabe-se lá) não foi tão educado como postei aqui em cima. Dei uma editada porque, além de erros de português graves, o ser aí de cima ainda me xingou horrores, de tudo que você possa imaginar. O fogo do inferno foi o mais leve, kkk. Mas não me ofendo. Estou acostumada com haters, esses seres que são muito corajosos no anonimato da internet e que dificilmente teriam coragem de se expressar do mesmo jeito, cara a cara.
Decidi publicar aqui, hoje, em vez de uma dúvida legítima sobre sexo, por dois motivos. O primeiro é que esse tipo de comentário não é muito comum na coluna. De vez em quando aparece alguém criticando algo na postura dos leitores que enviaram as perguntas, mas eu simplesmente ignoro e nem publico. Não vou constranger meus leitores ou deixa-los ainda mais angustiados por causa de pessoas que acham que sabem de tudo e que adoram dar pitaco na vida do outro.
O segundo motivo é que fico realmente impressionada com uma pessoa se dispõe a ler as colunas, mas que prefere enxergar pecado e danação, em vez de perceber que sexo é natural e, portanto, deveria ser tratado como uma coisa comum, que deveria ser discutido sem pudores ou tabus. Mas, por causa de dogmas religiosos – a maioria escritos por homens e, portanto, falhos – consideram o sexo e tudo que o envolve uma coisa suja, nojenta (como o leitor diz) e pecaminoso.
E fico com pena.
Porque pessoas assim existem aos montes. Pessoas que foram condicionadas a acreditar que o prazer sexual é pecado, que realizar fantasias compromete o plano espiritual e que tudo aquilo que fugir do sexo para procriação é antinatural. Tenho cá para mim que essas pessoas são extremamente infelizes, em seus relacionamentos. E, como são infelizes, não querem que os outros sejam felizes. E ficam cuidando da vida dos outros. Nem Deus faz isso. Ele nos deu o livre-arbítrio para decidirmos como queremos viver, agir e até se relacionar sexualmente. Se estamos certos ou errados, veremos depois.
Eu sempre digo por aqui e vou repetir mais uma vez: sexo é bom, uma coisa perfeita, seja feito de qual forma for, desde que seja consensual e não machuque ninguém (a menos que o parceiro queira ser machucado, mas aí é que entra o consentimento). Não importa se outros não compreendem. Ninguém está errado por buscar o prazer e alegria de um ou de outro modo. O que importa é viver sua vida sexual plenamente, sem tabus nem inibições bestas, sem dogmas e, muito menos, sem receio de estar fazendo “coisa errada”. Coisa errada é ser infeliz.
Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?
Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

