Por Angela Diana
O título de hoje vem em homenagem à Efigênia Rolim, que, a meu ver, é uma entre tantas grandes mulheres das artes. Lembrei-me da conversa que tivemos na feirinha da Praça Osório, em Curitiba, onde ela tinha sua barraca! Só nesse país, uma artista como ela precisava colocar uma barraca para vender suas obras!

Era uma das barraquinhas mais coloridas da feira e tudo feito de recicláveis! Minha atenção foi para as bonecas feitas de papel de bala. Só que a mágica com Efigênia não era a obra material apenas, mas as histórias… Ela pegou a boneca e foi desenrolando uma história e ia pegando uma peça e outra peça e logo, tudo isso, era uma sequência maravilhosa, todas as peças expostas faziam sentido. E ficamos eu e minha prima Marlei, ouvindo embevecidas e emocionadas até o final.

Efigênia, apesar de ganhar prêmios, documentários e expos, precisa de apoio para ter uma velhice tranquila. Lógico, que nesse país, uma artista do calibre dela não tem apoio e subsídios para criar e viver sem se preocupar com a subsistência! Não coloquei os dados técnicos dessa vez, porque existem textos de críticos e curadores muito melhores que os meus e estão na internet. Filmes, documentários sobre a obra e vida da Efigênia, completinhos para quem ama arte! Veja um produzido pelo MON.
E por falar em “amar a arte”, adoraria que os e as artistas iniciantes soubessem o quanto é importante conhecer os artistas da cidade, do estado e do Brasil também! Temos a tendência de olhar pra as artes lá fora e achar que são muito melhores que as nossas… E isso não é verdade! Claro que isso não é uma competição… Mas, sim, uma constatação!

O que “lá fora”, em alguns países como EUA ou Inglaterra, França etc, tem como diferencial é a ESTRUTURA de trabalho de séculos! E o respeito pela cultura e artes. O que muito nos falta por aqui! Só damos valor depois que o ou a artista morre! Não é verdade que o artista fica “famoso” depois que morre (tirando alguns poucos casos). O caso é que nós brasileiros não damos a mínima importância para o que temos de bom, aprendemos desde cedo a não reconhecermos que temos um país riquíssimo em tudo!
Mas, nunca é tarde para começar a valorizar o que temos. A dica da semana: vejam os documentários sobre a Efigênia! De Minas para o Paraná, uma das nossas maiores “joias” da cultura paranaense. Sigam o Instagram dela!

Angela Diana
Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Foto: Cido Marques/FCC

