Dogging: a prática de fazer sexo em público

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Sou bonita, tenho um corpão, sempre gostei muito de me exibir, tinha prazer quase sexual em ver as pessoas – homens e mulheres – olhando pra mim. Mas desde que um ex-namorado me apresentou ao dogging, há uns cinco anos, não consigo transar normalmente, entre quatro paredes. Já perdi dois relacionamentos porque só quero fazer sexo em público. Estou viciada nisso. O que faço? Os caras querem uma mulher ‘mais normal’. “

O dogging, que recebeu esse nome por causa dos cães que se acasalam no meio da rua, é uma das práticas fetichistas com bastante adeptos em todo mundo. Na Inglaterra, aliás, tem uma cidadezinha a uma hora de Londres, chamada Putteham, que aparece sempre em todas as listas de bons lugares para se praticar o ato sexual em público para que outros assistam. A cidade tem um campo afastado do centro que reúne dezenas de adeptos fazendo sexo em seus carros enquanto voyeurs assistem bem de perto. Mas lugares assim, que “permitem” (não que os moradores da Putteham tenham muita escolha) a prática, são raríssimos.

Lógico que a prática do dogging está intimamente ligada ao voyeurismo e exibicionismo, dois fetiches que estão enquadrados nas chamadas parafilia – transtornos psiquiátricos -, principalmente porque perturbam terceiros sem o consentimento deles. Além disso, pode ter conotações penais e também ações civis por danos morais.

O voyeurismo está tipificado na Lei Maria da Penha, no artigo Art. 7º: “São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018)

Já o exibicionismo, mais comumente encontrado em homens, é previsto no Código Penal, no Artigo 233.º: “Quem, publicamente e em circunstâncias de provocar escândalo, praticar acto que ofenda gravemente o sentimento geral de pudor ou de moralidade sexual, será punido com prisão até 1 ano e multa até 100 dias”. Ou seja, a leitora está se arriscando em só praticar sexo em público.

Como ela mesma disse, viciou-se na prática. E, portanto, isso é preocupante. É certo que a vida sexual de uma pessoa deve ser plenamente satisfatória para ela, independente do que gostar de fazer. Mas quando não consegue praticar outras formas de sexo a não ser aquela, não consegue ter prazer em explorar diversificadas atividades sexuais, é preciso investigar as causas. Porque uma vida sexual saudável deve ser diversificada. Se só faz a mesma coisa, sempre e sempre, correndo riscos absurdos, algo não vai bem. Vez ou outra se arriscar um pouco é até interessante, apimenta a relação (quem nunca transou num carro estacionado que atire e primeira pedra). Mas, no caso da leitora, que perdeu relacionamentos porque só quer assim, me parece que está fugindo do “saudável”.

Sugiro que busque especialistas, como psicólogos, que podem ajudá-la. Sabendo as causas da necessidade de transar em público, pode ser que consiga resolver. Quanto aos caras que querem uma mulher “mais normal”, boa sorte para eles. Como diz o ditado, “de perto ninguém é normal.”

Tem dúvidas? Mande sua pergunta para o email telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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