Por Rogério Rigoni
Fala, meninas e meninos do rock!
Cara, eu não conheço toda a obra de Chico Buarque e, para ser sincero, conheci Chico através da música “Geni e o Zepelin”. Aquela: Joga pedra na Geni. Fora isso não conhecia mais nada. Até que que um belo dia ou noite eu ouvi “Construção” e, depois de algum tempo, “Cotidiano”. Não é meu estilo de som e muito menos teria um CD no carro, mas confesso que de vez em quando eu coloco no PC para escutar e até canto junto. Sim! Eu queria ter escrito estas duas obras. Mas como um bom roqueiro velho que sou, fico imaginando essas duas músicas tocadas em um ritmo diferente, seja em um rock pesado ou em um bom thrash metal.
Pode até parecer uma viagem “loca” da minha cabeça, mas sempre tive esta viagem e quando descobri o canal do Frog Leap Studios, pirei. Era tudo que eu queria fazer, se tivesse uma banda, versões pauleiras das músicas mais lentas ou nem tanto que gostava e Leo Moracchioli faz isso! Ouvi cada versão foda no canal Frog, que pirei o cabeção.
No Brasil, não conheço ninguém que faça isso, ou tenha um canal especifico para este tipo de produção (deveria ter) de músicas nacionais.
Como eu gostaria de ver “Construção” e “Anunciação” numa versão pauleira. As letras são lindas, inteligentes e dá para fazer essa parada de boa.
Alguma banda de rock se habilita?
(Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrimas
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu na construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio naufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar por me deixar existir
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague
Eu quero morrer na contra- mão atrapalhando o Sábado!
Bora transformar em rock?!
BORA PRO ROCK!

Rogério Rigoni
Foi comerciante a vida toda, se rebelou e assumiu seu lado de escultor. A música que sempre foi sua paixão! Rock and roll na vida e na arte!
Foto: Print de vídeo


Uma resposta
Muito boa a matéria! Parabéns