Por Renato Munhoz
O debate sobre o uso de agrotóxicos na produção de alimentos no Brasil e no mundo não é novo. Já há muito tempo diversas pesquisas apontam que a utilização do veneno para o controle de pragas nas lavouras é responsável pela maioria das doenças, relacionadas ao coração, ao cérebro, estômago e um dos indutores mais potentes do câncer.
Um Projeto de Lei (PL) que tramita no Congresso (PL 6.299/2002) volta a pauta, trazendo basicamente a ideia da ampliação da liberação do uso de agrotóxicos no Brasil.
No Brasil a liberação de novos agrotóxicos ou dos chamados genéricos, desde 2016, tem alcançado índices históricos. São mais de 1.500 autorizações nos últimos três anos. O Projeto de Lei em pauta trata da chamada desburocratização dos novos pedidos para o uso de substâncias agrotóxicas. Dando mais autonomia para o Ministério da Agricultura. Sem depender essencialmente da ANVISA e do IBAMA para que tais substâncias sejam utilizadas. Colocando em risco a saúde e o Meio Ambiente como um todo.
O Brasil é o país que mais libera veneno no mundo. Somos responsáveis por mais de 20% de todo agrotóxico utilizado no mundo. Cada brasileiro consome em média cerca de 7 litros de veneno por ano. Mais de 70 mil intoxicações anualmente. Além das doenças provocadas pela consequência da utilização. A má aplicação, sem equipamentos de proteção, por exemplo, vulnerabilizam milhares de agricultores no Brasil.

É urgente repensarmos o modo de consumo de alimentos, buscando a alimentação orgânica, embora ainda este tipo de consumo esteja não tão acessível a muitos brasileiros. É proeminente repensar a forma de produção de alimentos. Para que nossa comida nos traga saúde e não doenças.
Sabemos que, por detrás das trágicas liberações dos últimos anos, está o interesse do agronegócio. E por ser ano eleitoral muitas coisas estão em jogo.

Não relativizar a questão dos alimentos, escolher melhor, produzir em pequenos espaços, valorizar os espaços de produção sem veneno. É preciso coragem para começarmos a produzir uma nova cultura.
Certamente não vamos conseguir mudar a ganância daqueles que produzem as leis para atender seus interesses de poder e riqueza. Mas a partir das nossas casas, das nossas ruas e comunidades, daremos inicio sem dúvida a novas práticas e somente estas poderão apontar uma nova direção.
Sem romantismos, não é fácil nem muito menos simples. Mas como querer um mundo sem veneno, se aqueles que decidem nossas vidas com as leis são defensores da morte, da doença. Como diz Brandão, filósofo apucaranense: “a gente reclama do preço do leite, mas continua votando no dono da vaca”. A escolha pelo alimento saudável, começa nas urnas.
Renato Eder Munhoz

Historiador e Teólogo, especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Coordenador de Projetos do COPATI (Consórcio de Proteção Ambiental do Rio Tibagi).
Foto: Colagem/Renato Munhoz

