BASTA DE TRANSFOBIA!

WILIAM

Além de políticas públicas específicas, o respeitado psicólogo Wiliam Peres recomenda mais respeito e solidariedade com as diferenças humanas e, em particular, com pessoas travestis e transexuais

“Poderia indicar experiências pessoais, sociais, culturais ou mesmo viagens feitas. No entanto, me veio a vontade de recomendar algo que pudesse fazer as pessoas refletirem sobre os discursos e os lugares que ocupam no mundo.

Recomendo que revejam seus valores de preconceito e discriminação contra as pessoas LGBTTTI – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Homens e Mulheres Transexuais, Intersexuais, assim como quem se define como não-binário.

Dentre as violências sexuais e de gêneros, violações de direitos e discriminações sociais vividas pela população LGBTTTI, os altos índices de agressões e assassinatos cometidos contra a população Trans (travestis, Homens e Mulheres Trans) chamam a atenção.

O Dossiê dos Assassinatos e da Violência contra Travestis e Transexuais no Brasil em 2018, realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), notifica 163 assassinatos de pessoas Trans, sendo 158 Travestis e Mulheres Transexuais, quatro homens trans e um pessoa Não-Binária. No Paraná foram notificados oficialmente oito assassinatos.

Os dados dos transfeminicídios no Brasil são alarmantes, e assustadores. Beiram as vias de genocídios e de massacre de pessoas que apenas sonham em ser livres e felizes como qualquer outro ser do planeta. A falta de políticas públicas e ações contra a transfobia, além da não inclusão das pessoas trans nas escolas regulares, no mercado de trabalho e conceder direitos igualitários também contribuem com esse cenário cruel.  

Isso produz outras formas de assassinatos gerados pela transfobia de Estado, o mais cruel, pois retira o direito da liberdade de ir e vir garantido por nossa Constituição.

Dentro deste recorte venho recomendar o seguinte:  que as pessoas sejam mais humanas, mais solidárias, mais amantes e respeitosas com as diferenças humanas e, em particular, pelas pessoas travestis e transexuais.

Antes de julgar, amaldiçoar, discriminar, agredir ou até matar procure conversar com essas pessoas. Procure conhecê-las de perto e constatar que são constituídas de carne e osso, possuem sentimentos. Possuem famílias, têm sonhos, projetos de vida e  buscam a felicidade como todos nós.

Com essas reflexões acredito que poderemos construir um mundo melhor em que todos os seres humanos possam, de fato, atuar ao seu jeito. Com isso, quem sabe, possamos construir a cidadania de forma ampla, laica e inclusiva.

Combater e erradicar a transfobia significa combater também o machismo, o racismo, a misoginia, as lgbtfobias e as outras formas de fascismo que se insistem em se atualizar nos tempos de agora.

 Paremos a transfobia!!!”

(Wiliam Peres é psicólogo, professor-doutor aposentado do Departamento de Psicologia Clínica e Programa de Pós-graduação em Psicologia da UNESP, Campus de Assis, SP)

Foto: Arquivo Pessoal

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