Até quando brancos agressores ficarão impunes?

pexels-dapo-abideen-7182993

Por Fábio Luporini

Duzentos anos separam dois infelizes e vergonhosos casos de racismo estrutural no Brasil. Um, ocorreu em 1821. O outro, em 2022. O que mudou? O tipo de morte. Mas, a repulsa que o brasileiro sente em relação ao negro africano parece ser a mesma, principalmente, quando se tem no poder um grupo ideológico psicopata que incentiva diversos tipos de ódio. Por isso, em pleno século XXI não é possível mais aceitar esse tipo de situação. Assim, embora eu não seja um defensor da pena de morte muito menos do “olho por olho, dente por dente”, parece que não há outra alternativa para acabar com a impunidade de quem comete crimes racistas.

Vamos contextualizar. O primeiro caso a que me refiro é do soldado negro Francisco José das Chagas, conhecido como Chaguinha, que foi o líder de reinvindicações por melhores salários, na época do Brasil Império. Depois de reclamar de salários atrasados durante meses, foi condenado a morrer na forca. O que? É isso mesmo! O cara morreu por reclamar um direito seu! Daí surgiu o bairro paulistano Liberdade, porque a tentativa de enforca-lo fracassou duas vezes e o povo começou a gritar e a pedir liberdade ao rapaz, com medo de ser um aviso divino.

O segundo caso aconteceu dias atrás, no bairro nobre da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Cinco homens espancaram até a morte o congolês Moïse Mugenyi Kabagambe simplesmente porque o garoto cobrou um pagamento atrasado de cerca de R$ 200. O que? É isso mesmo que você leu: a vida do garoto não vale R$ 200 para cinco caras que, se dividissem o dinheiro, desembolsariam apenas R$ 40 cada. Onde está o absurdo? Botaram para fora um racismo estrutural movido por um ódio idiota que vitimou mais um. Isso não pode ficar impune, mesmo que agora os caras digam que “não queriam mata-lo”.

Será que não aprendemos NADA com a nossa História? É por isso que precisamos, cada vez mais, conhecer as origens e o modo como nosso país foi criado e formado. Justamente para não permitirmos que casos assim voltem a se repetir. E é preciso, sim, discutir racismo estrutural. Isso não é mimimi. Isso é uma realidade que mata. E que vai continuar matando enquanto brancos agressores ficarem impunes. E aí, que país nós queremos para as próximas gerações?

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Compartilhe:

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse