Por Fábio Luporini
“Ideologia, eu quero uma pra viver”! A letra de Cazuza, lançada no álbum homônimo de 1988, expressa um desejo e uma vontade de tantas e tantas pessoas, que insistem em acreditar em ideologias, defende-las e servi-las como escudos de preceitos e conceitos morais. Observa-se isso na realidade política. Não nos políticos. A despeito de muitos não se interessarem por questões político-partidárias, há milhares de cidadãos que se identificam com esta ou com aquela ideologia: esquerda, direita, centro-esquerda, centro-direita, liberal, conservador, progressista e quantas outras denominações existirem…
O problema é que quem representa as ideologias nem sempre, de fato, coloca-as em prática. Talvez por isso exista tanta infidelidade partidária na política brasileira: gente que fica trocando de partido como troca de roupa. Ou seja, não está num partido político, por exemplo, porque acredita no que aquela legenda acredita. É como o presidente Bolsonaro, que se elegeu por um partido político pequeno, deixou a legenda e, agora, filiou-se a um que representa o centrão, justamente o “inimigo” o presidente nos primeiros anos de governo. Onde fica a ideologia?
Ou, talvez, como o ex-presidente Lula, que discute uma chapa com o ex-presidenciável Geraldo Alckimin, que já foi governador de São Paulo e opositor do petista. Nesse caso, não é que ambos não representem uma ideologia, mas, associam-se a ideologias distintas em nome do que? Do poder? De uma eleição? Ou, como deveria ser, de um projeto político de país, que pense verdadeiramente na população? Há sempre controvérsias…
Afinal, esse tipo de prática pode se enquadrar num dos conceitos de ideologia: o de que é um conjunto de ideias que busca mascarar a realidade para tentar enquadrá-la num tipo de pensamento e comportamento. É o inverso do que deveria ser. Já que ideologia é – ou deveria sê-lo – um conjunto de ideias e pensamentos que nos ajudam a explicar a realidade e as transformações sociais pelas quais passa o mundo. Entretanto, o Brasil está carente de quem, na realidade, é fiel à uma ideologia capaz de pensar no próximo, no país como um todo e na sociedade em geral.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
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