Tenho perdido madrugadas na frente da televisão para ver as Olimpíadas. Logo eu, a pessoa que, hoje, não pratica nem levantamento de copo. Mas sou apaixonada por Ginástica Artística. E é justamente nesse esporte que o Brasil vem se destacando. Paixão que carrego desde criança, quando fui apresentada à modalidade, na escola. Magrinha e pequena, fui uma boa aluna.
Na época, nem sabia direito o que era a ginástica. Tudo começou quando uma nova professora de Educação Física foi dar aula no colégio que estudava. Chegou cheia de colchonetes e trouxe junto o “cavalo”, um dos aparelhos usado na Ginástica de Trampolim. E para mim, que já dava cambalhotas em solo, foi moleza me equilibrar nele. Conseguia dar piruetas e fui uma aluna aplicada, A professora ficou muito animada.
Nos desfiles de 7 de Setembro, também já fui baliza da banda. A baliza é aquela que vem na frente dos músicos, fazendo acrobacias com um bastão na mão. Sim, eu dava piruetas e saltos mortais no asfalto. E tinha coordenação motora. Hoje não consigo colocar a mão nos pés sem dobrar os joelhos. E derrubo tudo por onde passo.
Mas voltando às Olimpíadas, e a modalidade da ginástica, tenho que ressaltar que tem sido uma das poucas coisas que tem me dado alegria. Não tem como não ficar emocionada. Apesar do Galvão Bueno.
A Ginástica Olímpica, onde a Artística está inserida, tem ainda mais duas modalidades, a Rítmica e a de Trampolim. Nela, diferentes exercícios físicos são praticados e são diferentes para homens e mulheres. As provas realizadas pelos homens são: barra fixa, barras paralelas, cavalo com alças, salto sobre o cavalo, argolas e solo. As mulheres disputam exercícios de solo, salto sobre cavalo, barras assimétricas e trave de equilíbrio.
Os aparelhos da ginástica artística masculina diferenciam-se dos aparelhos disputados na ginástica artística feminina no seguinte aspecto: enquanto os aparelhos masculinos procuram demonstrar a força e domínio do ginasta, os aparelhos femininos dão um destaque maior à vertente artística e à agilidade.
É a modalidade mais antiga do esporte olímpico. Surgiu em 1881, nas escolas alemãs e era praticada apenas por homens. Em 1896 passou a ser um esporte Olímpico, mas foi somente em 1928 que as mulheres puderam participar dos primeiros jogos. Mas foi somente em 1950 que a ginástica passou a ser praticada nos aparelhos, como é hoje.
As apresentações da ginástica artística são individuais – ainda que nas disputas por equipes -, possuem o tempo aproximado de 30 a 90 segundos de duração, são realizadas em diferentes aparelhos – sob um conjunto de exercícios – e separadas em competições femininas e masculinas. Os movimentos dos ginastas devem ser sempre elegantes e demonstrarem força, agilidade, flexibilidade, coordenação, equilíbrio e controle do corpo.
Não tem como negar que hoje, a ginástica artística é um dos esportes mais populares, não apenas nos Jogos Olímpicos. E também um dos mais exigentes para com seus atletas e praticantes. Também é bastante popular, principalmente entre as mulheres. Graças a isso, a modalidade artística tornou-se rainha entre as demais práticas da ginástica. Surgida como um esporte tipicamente masculino, a modalidade artística globalizou-se como um esporte feminino, que hoje possui maior destaque, um maior número de praticantes e atletas mundialmente reconhecidos. Entre elas, muitas brasileiras.
Quando a Diane dos Santos e a Daniele Hypólito vieram para Curitiba em 2004, treinar para as Olimpíadas, encontrei as duas passeando de braços dados na feirinha do Largo da Ordem. Dois ticos de gente, puro músculos. Passearam tranquilamente, sem serem importunadas, como é de praxe no comportamento dos curitibanos. Na época, a Daiane chegou a receber o título de Cidadã Honorária da cidade. Elas ficaram oito anos na capital paranaense e tiveram ainda a companhia de mais duas competidoras olímpicas, a Laís Souza e a Jade Barbosa.
Hoje, com as medalhas conquistadas pela Rebeca Andrade, a modalidade volta a ser a grande atração da competição. E eu que achava que essa Olimpíada iria passar despercebida, me pego nas madrugadas frias, tomando um café e torcendo pelas meninas na frente da televisão. Eu e todos os brasileiros. Menos o motoqueiro genocida de Brasília, aquele que desgoverna o Brasil, que nem se pronunciou a respeito. E ainda diz que é atleta!
Raquel Tannuri Santana

É jornalista, fotógrafa e cronista. Escreve esta coluna de segunda, com assuntos de primeira.
Foto: Míriam Jeske/COB

