Filosofia e empreendedorismo devem ser ensinados desde cedo

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Não adianta: podem surgir inúmeros assuntos ou termos modernos, mas, todos sempre acabam terminando em filosofia. E o que se percebe é que a essência filosófica perpassa pela realidade contemporânea, seja qual tempo for. É o caso, por exemplo, do empreendedorismo ou do mundo dos negócios, que se desenvolveram muito nos últimos anos, principalmente no século XXI. Tecnologia, ciência da computação, inovação, entre outros tantos aspectos modernos são tão importantes para o universo business quanto os conceitos pensados mais de 2,5 mil anos atrás.

Quem diz e defende isso é o escritor Jonathan Løw, uma sumidade no mundo dos negócios. Para ele, filosofia e antropologia, por exemplo, devem ser disciplinas trabalhadas nos cursos relacionados ao mercado, assim como precisam ser difundidas nas corporações. Isso porque é por meio delas que se tem uma visão clara da realidade em que vivemos, dos propósitos como ser humano e como sociedade. Além do que, obviamente, é possível entender e compreender questões éticas muito importantes para os desafios que enfrentamos hoje em dia.

Para usar uma expressão de Jonathan, “as humanidades não devem ser secundárias, mas, primárias, na maioria dos cursos de nível superior”. Vou mais além. Como sou um professor que defende uma mudança radical e revolucionária no ensino fundamental e médio, proponho que, além do ensino da filosofia, sejam implantadas também disciplinas relacionadas à organização financeira, à administração e ao empreendedorismo, cada vez mais cedo na jornada escolar.

Já tive experiência de lecionar filosofia desde o 6º ano do ensino fundamental e percebi, na prática, a diferença que isso faz aos estudantes. Eles chegam ao ensino médio e à própria universidade com uma mentalidade muito mais desenvolvida, mais aberta e menos propensa a preconceitos e intolerâncias. Ou seja, transformam-se em seres humanos muito melhores do que se não tivesse tido contato com essas discussões. O mesmo vale para o empreendedorismo. Precisamos ser preparados para os desafios da vida desde cedo, para não sermos surpreendidos quando formos “jogados” ao mercado de trabalho.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pixabay

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Uma resposta

  1. Concordo plenamente.
    E, além de aulas de filosofia e empreendedorismo, aulas de educação financeira, desde o ensino fundamental I.
    Metade dos brasileiros, inclusive eu, é endividada, justamente por não ter tido uma orientação.
    Antropologia também é essencial.
    A sociedade precisa educar os indivíduos desde pequeno a ter uma visão mais abrangente, plural, sobre a sociedade em que nasce, cresce, vive e morre.
    A visão de mundo das pessoas adultas é, muitas vezes, infantilizada, brutalizada, idiotizada, absolutamente estreita e assustadora.

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