“Olá, sou Agatha. Já fui casada 8 anos com uma mulher que me satisfazia. Agora estou com um homem maravilhoso, porém grosso e estúpido. Eu tinha loucura de fazer amor com ele, mas de tanto me dar fora, tô perdendo o tesão. Não quero perder meu marido porque o amo muito. O que fazer?”

A leitora postou esse comentário em uma das nossas colunas sobre lesbianismo. E eu fiquei “bugada” (confusa). Como um homem pode ser maravilhoso se é grosso e estúpido e só dá “fora” na esposa? Como assim, gente? Maravilhoso em que sentido? Ele é bonito, é rico? Tem pau grosso? Trepa bem? Não entendi o adjetivo porque, pra mim, um homem que não respeita a mulher, só a trata com estupidez e grossura, que não lhe dá atenção, nunca será maravilhoso. Por mais rico e bonito que seja. Por melhor que transe. Nem digo fazer amor, porque o conceito nem combina com estupidez.
A leitora parece viver num relacionamento abusivo. Nem um email próprio ela tinha. Mandou o comentário com o email de um homem. Não vou publicar esse comentário porque, se vive mesmo num relacionamento abusivo, pode dar problemas para ela, se alguém responder. Respondo por aqui, para que esta coluna talvez chegue até ela.
Pelo que entendi, você é bissexual e teve uma relação ótima com uma mulher. Não deu os motivos da separação no seu comentário, mas deduzi que vivia bem com uma pessoa e se apaixonou por outra, com quem não não tem reciprocidade. Se já teve uma experiência boa, por que aceitar uma ruim, agora? Amor não é justificativa suficiente para ficar com alguém que só lhe trata mal. Antes de amar alguém, a gente tem que amar a si própria. No seu relacionamento, eu só vejo você dando amor e recebendo patadas e maus tratos.
Agatha, querida, por favor, procure ajuda. De amigas, mãe, irmãs. De uma psicóloga. Porque isso não é e nunca deve ser considerado normal. Você não tem que ter medo de perder seu marido. Tem é que sair fora dessa relação o mais rápido possível. Viver com um homem que não lhe respeita, que só a trata com grossura e estupidez dever ser um inferno na terra. E mulher nenhuma merece isso.
Todas nós merecemos ser bem tratadas – e não estou querendo dizer mimadas, mas sim respeitadas, como mulher, como pessoa, como companheira. E aqui não importa seu passado, sua orientação sexual, seu nível de educação ou socioeconômico. O que importa é o respeito. Ele tem que ser, sempre, de mão dupla, dar e receber. Não somos “apenas” buracos de prazer pra macho nenhum. Não aceite isso! Caia fora dessa relação que não tem salvação. Enquanto seu maravilhoso marido não a respeitar, não haverá amor que salve.
Mande suas dúvidas para o email telma@olondrinense.com.br
Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?
Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

