Concurso para escolher nome de girafa

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Filha de Pacheco e Mandinha, Pandinha, aos 32 anos, é a girafa mais velha do Brasil e a quarta mais velha do mundo. Ela vive no zoológico de Curitiba e foi com grande emoção que li a notícia. E explico o porque.

Em 1989, quando cheguei na capital, fui trabalhar no jornal O Estado do Paraná. Tinha pouca experiência, era jovem e tive a sorte de trabalhar com gente cheia de energia e disposição. Então, o assunto mais simples podia virar o mais importante, dependendo do foco.

E foi logo que cheguei ao jornal que fui pautada para cobrir o nascimento da primeira girafa em cativeiro do zoológico da cidade. Fomos eu e o repórter fotográfico Antônio Costa, o Socozinho. O animal tinha acabado de nascer e lembro de nosso espanto em ver o tamanho do animal e sua esperteza. Seria uma pauta normal caso não tivéssemos a ideia de fazer um concurso para escolher o seu nome. Com direito a voto impresso no jornal e urna para depositar.

Foto: Prefeitura de Curitiba

Lembro de dois nomes para votar: Pachequinha, em homenagem ao seu pai. E Pandinha. Como deu para perceber, o nome é a junção de Pacheco e Mandinha. Igual ao da minha sobrinha, Loregina, filha da minha irmã Regina e do meu cunhado Lorival. Ela resumiu seu nome para “Lô” e não se fala no assunto.

A longevidade de Pandinha é exceção. No mundo só há mais três indivíduos mais velhos do que ela em cativeiro. E na natureza, elas vivem no máximo, 15 anos. E o melhor é que o animal está super bem de saúde.

Dados divulgados pela studbook internacional da espécie, um livro de registro com informações genealógicas sobre os animais, mostram que as girafas mais velhas que Pandinha moram em Colombo (Sri Lanka) e em Fort Wayne e Tucson, nos Estados Unidos.

As girafas são animais que possuem muitas particularidades. Por exemplo, são capazes de comer as folhas das árvores de uma altura de até 6 metros. Para poderem pastar, têm de afastar as pernas dianteiras uma da outra.

Devido ao baixo teor nutritivo das folhas, as girafas precisam comer grandes quantidades e passam quase 20 horas por dia comendo. O comprimento do corpo pode ultrapassar os 2,25 metros e ainda possui uma cauda com oitenta centímetros de comprimento, sem contar o pincel final. O seu peso pode ultrapassar os 500 quilos. Apesar do seu tamanho, a girafa pode atingir a velocidade de 56 km/h, suficiente para fugir de seus predadores.

Por causa de seu pescoço comprido e rígido, seu sistema vascular possui a fama de ser o responsável pela maior pressão sanguínea do reino animal.
Para que tudo funcione, o coração das girafas tem dois orifícios: um que bombeia sangue para o pulmão e membros e outro que alimenta o cérebro com o líquido vermelho. Este último é fino, visto que os músculos são maiores, assim a força necessária para o bombeamento não é tão grande como se imagina.

No entanto, quando a girafa tem de beber água, a pressão sanguínea da cabeça aumenta muito e só não a mata devido a duas particularidades excepcionais. Próximo ao cérebro, existe uma rede de vasos capilares que se ramificam em inúmeras veias menores dentro do crânio do animal. Eles servem para amortecer e distribuir essa sobrecarga de sangue jorrada pelo coração quando a girafa está com o pescoço abaixado.

As girafas dormem aproximadamente duas horas por dia e um pouco de cada vez. Elas dormem em pé e, apenas em ocasiões muito especiais, quando se sente completamente segura, se deita no chão para descansar.
Agora que já sabemos mais sobre as girafas, que tal fazer uma visita ao zoológico e conhecer minha afilhada?

Raquel Tannuri Santana

Foto: Acervo pessoal

É jornalista, fotógrafa e cronista. Escreve esta coluna de segunda, com assuntos de primeira.

Foto: Prefeitura de Curitiba

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