Amor e Monstros, dosagem exata de um filme divertido

amor e monstros

Sabe aquele filme tão divertido e redondinho que quando acaba você lamenta? Este é o caso de Amor e Monstros, disponível no streaming Netflix, lançado dia 14 deste mês e já considerado um dos melhores filmes para TV dos últimos anos. Concorrendo ao Oscar de melhores efeitos visuais, o filme gira, é claro, à volta de um grande amor cercado por monstros.

A trama tem início sete anos após o apocalipse provocado por insetos que viraram monstros e dizimaram 95% da população, fazendo com que os 5% restantes passassem a morar em colônias subterrâneas, uma bela metáfora para nossa contemporaneidade. Durante esses sete anos, Joel Dawson, interpretado por Dylan O’Brien (Franquia Maze Runner 2014, 2015 e 2018), procura desesperadamente contactar sua namorada Aimee, procurando pelo rádio de colônia em colônia. Ao descobrir onde está Aimee (Jessica Henriwick – Ameaça Profunda, 2020), Joel sai da sua não tão segura colônia e parte ao seu encontro, enfrentando todo tipo de monstros.

Dirigido pelo produtor-diretor-escritor Michael Matthews (Cinco Dedos por Marselha, 2017), o filme tem a dosagem exata de muita emoção e muito humor. Ao contrário dos demais filmes do ‘gênero monstros’, onde tudo gira em torno das criaturas, Matthews mantém o foco no amor, na humanidade, na sensibilidade. Assim, dois ingredientes, amor e monstros, que tinham tudo pra se transformar em um grande clichê chato e meloso, se transforma em algo emocionante, sincero e envolvente, às vezes nos fazendo gargalhar, às vezes chorar.

A priori você pode ter a sensação de estar assistindo Zumbilândia (2009), basta trocar os nomes dos personagens. Mas não é bem assim. Roteirizado por Brian Duffield (A Babá, 2017) o filme não parte para referências pop vazias, onde a obra só existe pelas próprias referências, como em Zumbilâdia. Não ficamos flutuando fora do filme e sorrindo cinicamente pelas referências inteligentes, em Amor e Monstros mergulhamos no filme e nos identificamos profundamente com seus personagens.

A continuação do filme não está em desenvolvimento, mas está nos planos de seus produtores, interessadíssimos em continuar a história e encher seus bolsos com mais dimdim.

Joel teve um grande motivo pra sair de sua colônia e correr perigo de morte. Você não tem, continue em casa. Filme muito bom.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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