Representantes de laboratórios e ministro de Relações Exteriores serão ouvidos pelos senados sobre a produção e importação de vacinas
Agência Senado
Nesta terça-feira (23), os senadores vão ouvir representantes de laboratórios brasileiros e estrangeiros, além de empresas farmacêuticas, sobre a produção e a importação de vacinas contra a covid-19. Entre os convidados estão porta-vozes do Instituto Butatan e da Pfeizer e Janssen. Também será discutida a crise no fornecimento de oxigênio. Na quarta-feira (24), deverá participar de outra reunião virtual o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a compra dos imunizantes no mercado internacional.
O fornecimento de vacinas contra a covid-19 e de cilindros de oxigênio para garantir tratamento aos pacientes em estado grave ao Brasil será discutido em sessão temática nesta terça-feira (23), às 16h. O requerimento para realização desse debate (RQS 896/2021) foi apresentado pela senadora Rose de Freitas (MDB-ES) e contou com a assinatura de outros 25 senadores. Além disso, a iniciativa tem o apoio do Grupo Parlamentar Brasil-ONU. Esse requerimento foi aprovado no dia 11 de março.
A sessão, que estava agendada para sexta-feira (19), foi adiada em razão do luto oficial de 24 horas pelo falecimento do senador Major Olímpio (PSL-SP), ocorrido na quinta-feira (18), em decorrência da covid-19.
O debate foi solicitado para tratar sobre a capacidade de fornecimento de vacinas ao Brasil, dos quantitativos e dos prazos para a entrega das doses de vacina. A falta de doses chegou a levar à interrupção da vacinação de idosos em vários estados. Na sessão temática, de caráter remota, estarão em debate também as medidas para garantir o fornecimento de oxigênio, evitando assim o colapso verificado em Manaus no início do ano. Neste momento, especialistas têm alertado também para o risco de escassez dos medicamentos indicados para permitir a intubação e socorrer as vítimas da pandemia.
Rose de Freitas pediu a presença de representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Butantan, da empresa farmacêutica Pfizer, da empresa farmacêutica Janssen e da farmacêutica União Química, além de representantes de laboratórios privados e de laboratórios de Rússia, China e Índia e representes das empresas que fornecem oxigênio.
A senadora aponta para a disparada, em todo o Brasil, do número de infectados pelo novo coronavírus e das mortes provocadas pela covid-19. Ao apresentar o requerimento, Rose também destacou que esse crescimento de infectados levou a uma taxa de ocupação de mais de 85% dos leitos de UTIs em quase todas as capitais brasileiras, o que resultou em novas medidas restritivas para impedir a disseminação do vírus. Desde a aprovação do requerimento para a realização do debate temático, a situação se agravou, e várias capitais estão com o sistema hospitalar em colapso, sem condições de oferecer tratamento em leitos de UTI a todos os pacientes.
“Diante desse quadro gravíssimo e de perspectivas desanimadoras, a ampla vacinação é a esperança e a meta a ser alcançada. Contudo, o problema principal ainda é a falta de vacinas, o que faz com que a vacinação não atenda sequer aos grupos de maior risco”, afirmou a senadora.
Obtenção de vacinas – Na quarta-feira (24), às 16h, uma sessão remota com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para a prestação de informações sobre a atuação dessa pasta na obtenção de vacinas contra a covid-19. A reunião atende a requerimento (RQS 1.006/2021) do senador Fabiano Contarato (Rede-ES). O parlamentar disse no Twitter que o ministro tem de explicar “o fiasco das relações com outros países para comprar vacina [contra a covid-19]”.
Em seu requerimento, o senador afirma que a escassez de vacinas no país está relacionada a uma série de erros, omissões e atropelos do governo federal. “Não apenas o Ministério da Saúde tem responsabilidade direta pela crise sanitária que o Brasil vive. O Ministério das Relações Exteriores também tem desempenhado um papel aquém da sua história e das suas possibilidades, prejudicando o fornecimento de vacinas na quantidade que o país necessita. Neste momento em que a cooperação internacional é fundamental, o ministro Ernesto de Araújo queima pontes e joga contra os esforços que poderiam trazer mais vacinas para o Brasil mais rapidamente”, argumenta.
Como exemplo, Contarato cita os problemas entre Brasil e China que, de acordo com ele, resultaram no atraso do envio do insumo farmacêutico ativo (IFA) das vacinas CoronaVac e Oxford/Astrazeneca. Ele também critica a ida de uma delegação chefiada pelo ministro a Israel para tomar conhecimento sobre um spray nasal antiviral desenvolvido naquele país. O medicamento está em fase de testes e, por isso, segundo o senador, levaria meses ou até anos, para ser utilizado. “O próprio criador do spray recomenda que a principal arma contra a covid-19 é a vacina. Assim, questiona-se qual foi o resultado da missão diplomática enviada a Israel”, critica Contarato.
Já o ministro, também pelo Twitter, defendeu a postura do Executivo. “A verdade sobre as vacinas: o presidenteJair Bolsonaro e seu governo trabalham desde o início da pandemia pela saúde do povo brasileiro.”
Foto: Arquivo/Senado Federal


